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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Voos

Ontem o Manel voltou de casa da avó. Fomos às compras todos juntos, jantámos num restaurante mexicano (andava cheia de saudades) e a seguir ele foi fazer a mala. Hoje partiu, de novo. Levei-o à estação e fiquei a ver o comboio partir. Custa tanto ver quem amamos desaparecer na linha do horizonte. O meu coração foi ficando apertadinho, quase como se apertasse proporcionalmente à diminuição do tamanho do comboio, cada vez mais pequeno, até se transformar num ponto. Procurei disfarçar a vontade de largar a correr para pedir só mais um abraço, ou de implorar ao maquinista particular cuidado com a viagem. Limpei disfarçadamente uma ou duas lágrimas, engoli um ou dois soluços. Senti-me um bocadinho ridícula, como se sentem geralmente os pais quando existe uma desconformidade entre a situação em si e a tristeza que os invade.

Os filhos crescem, ganham asas, autonomia, voam. Primeiro baixinho, depois, progressivamente, cada vez mais alto. Os pais deixam-nos voar, observam ao longe, dão as recomendações costumeiras, dissimulam as dores que lhes vão dentro. Sempre foi assim. Sempre será. 

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