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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Voltar do Paraíso não é fácil

Captura de ecrã 2019-06-17, às 16.29.18.pngCaptura de ecrã 2019-06-17, às 16.29.30.pngCaptura de ecrã 2019-06-17, às 16.30.23.pngCaptura de ecrã 2019-06-17, às 16.30.42.pngFotos retiradas do site do Club Med Kani

 

Fomos de carro até Madrid e foi lá que apanhámos o avião. Porquê? Porque poupámos qualquer coisa como 600 euros com esta manobra e, ainda por cima, temos em Madrid um casal muito amigo que é sempre bom rever (e que nos guardou o carro no seu condomínio durante a nossa estadia pelas Maldivas). Fomos num voo da Qatar (aviões óptimos e, ao nível da Executiva são mesmo assim do além - nós fomos em Económica e já foi excelente). Fomos de Madrid até Doha (Catar) e depois de Doha até Malé (Maldivas). Ou seja: 5 horas e tal de carro + 7 horas + 5 horas. A seguir, apanhámos um barco (o transfer do Club Med ficava mais barato do que outras empresas que contactámos) até ao resort (Club Med Kani). Quando chegámos estávamos um bocado atordoados mas a visão do Paraíso permitiu logo sossegar-nos os espíritos. Logo no avião, olhar para as ilhas verdejantes no meio de um oceano azul clarinho fez com que qualquer cansaço se sumisse como que por magia.

Foi uma semana de sonho. Água quente e turquesa, areia tão branca que parecia ter sido alvo do "teste do algodão", coqueiros, palmeiras, silêncio, boa comida. Mas também animação, caso o sossego começasse a bolir-nos com os nervos (o que dificilmente aconteceria). O Club Med, uma vez mais, não desiludiu. Às vezes perguntam-me se os animadores não são do tipo chato, sempre a animarem mesmo quem não quer ser animado. E a verdade é que não. Quem quiser nem botar os olhos e os ouvidos na equipa que anda aos saltos... é perfeitamente possível (mas fica a perder seguramente porque eles são mesmo bons). Mas, além do mais, a equipa sabe com um rigor quase científico quem são as pessoas que querem estar em paz, e quem são os que adoram uma zumba, não dispensam uma participação no espectáculo da noite, não dizem que não a um jogo de volei.

Nós não somos nem eremitas nem frenéticos. Bom, se tivesse de nos classificar aproximava-nos mais dos eremitas do que dos frenéticos. Afinal, a idade já vai sendo mais amiga de sopas e descanso do que farra da grossa. Mas não é só isso. O facto é que vivemos durante todo o ano com quatro miúdos, o barulho e o caos são permanentes e, apanhando-nos num sítio paradisíaco como este, só queremos mesmo é desfrutar do silêncio apenas quebrado pelo leve quebrar das ondas na areia. Ainda assim, fomos sempre ver o espectáculo que eles têm depois do jantar e que nos proporcionou bons momentos (às vezes, quando vão buscar pessoas à plateia, proporcionam momentos verdadeiramente hilariantes).

Se há quem pense ir até às Maldivas com os filhos

(ideia um bocado bizarra mas pronto 😂)... este Club Med é o destino ideal. Já estivemos nas Maldivas há 11 anos e o resort que escolhemos era daqueles em que uma criança era uma espécie de ET que qualquer casalinho apaixonado fulminava com o olhar ao primeiro choramingar (nem sequer falo de uma birra a sério, que nesse caso seria coisa para a afogarem na hora). Aqui, neste resort, havia várias crianças e clubinho para elas, que andavam entretidas com monitores especializados, a fazerem jogos, trapézio, e um sem número de actividades que as mantinham felizes e contentes enquanto os pais emborcavam margueritas junto à piscina. 

Poder-se-ia pensar que as pessoas sem filhos poderiam passar um mau bocado por terem de levar com os filhos dos outros num sítio que se quer paradisíaco e silencioso. Foi o que pensei quando me deparei com a primeira criança. Arregalei os olhos e fiquei estática como se tivesse visto o capeta. Mas a ilha, apesar de ser pequenina, é suficientemente grande para que se possa estar sem ninguém à volta. De resto, em muitas fotos que publiquei no Instagram durante a minha estadia, houve quem perguntasse se estávamos sozinhos na ilha. Não estávamos mas, se quiséssemos, podíamos estar longos períodos sem ver praticamente vivalma.

Ficámos instalados numa casa na praia, mesmo mesmo na areia, a escassos passos do oceano. Primeiro confesso que tive alguma pena de não ficar numa das casinhas suspensas na água (tínhamos ficado numa há 11 anos, quando fomos para outro resort e adorámos) mas estavam todas cheias (e eram mais caras). Mas depois, se querem mesmo saber, a da praia revelou-se um verdadeiro sonho. Talvez melhor que a sobre a água (apesar do quarto sobre a água ser muito maior e mais bonito) porque estávamos isolados. Tínhamos aquela zona da praia só para nós, o que foi mesmo incrível.

Não fizemos nem 1/5 das actividades que existem para se fazer. É como vos digo: não fazer nada é uma arte muito subvalorizada e para a qual tenho um talento inato. Ainda corri três vezes na passadeira (não corri à volta da ilha porque estava muito calor e porque havia milhares de búzios a passearem e não queria pisar nenhum). Durante uma semana, corri 28 km, o que me parece um autêntico feito (para quem está nas Maldivas, posto em sossego). Fizemos canoagem, Stand Up Paddle e... mais nada. Havia motas de água, barcos à vela, waterskiing, flyboard, mergulho com garrafa, trapézio, aulas de zumba e mais coisas, provavelmente. De tudo, preferimos o (quase) nada. 

Outra das coisas que me perguntaram era se o "tudo incluído" era mesmo tudo incluído. Era. Tudinho. E se há qualidade no que toca às refeições no Club Med. Para quem conhece, já sabe: são corredores e "quarteirões" de comidas de várias proveniências: havia o cantinho chinês, o cantinho indiano, havia o mais ocidental, havia as comidas a pensar nas crianças. Havia frutas e sobremesas e o difícil era mesmo escolher. 

Enfim. Foi tudo tão bom que agora o diabo é voltar. Claro que é muito bom rever os filhos, os pais, agradecer pessoalmente à mãe por ter tomado conta da ocorrência, e aos sogros por terem ficado com os mais pequenos duas noites, e ao pai e boadrasta por terem feito parte da comitiva que foi assistir à audição da Mada. Claro que é bom voltar, é sinal de que não falecemos, e nossa vida é, sem dúvida, uma boa vida para a qual se voltar. Mas... caraças. Voltar do Paraíso não é fácil.

IMG_8470.jpgIMG_8525.jpgIMG_8548.jpgIMG_8638.jpg80c49bdf-288a-4fd5-aadf-eb8977735b3b.jpgIMG_8730.jpgIMG_8789.jpgIMG_8790.jpgIMG_8799.jpgIMG_8800.jpgIMG_8654.jpgIMG_8805.jpgIMG_8812.jpgb635a211-6822-49fe-936c-0092ce9060eb.jpgc6ee9bd7-1d09-4905-8f84-9417bdc1ed29.jpgIMG_1865.jpgIMG_8791.jpgIMG_8799.jpgIMG_8839.jpgIMG_8916.jpgIMG_8926.jpg93a28fba-252c-49cf-ae44-855273a44f7e.jpgIMG_8668.jpg

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