Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Vai-e-vem tresloucado

Ontem fui buscar a Madalena à escola e, a seguir, fomos ter uma aula experimental ao Helen Doron. Na escola nova não há Inglês e nós gostávamos que ela não quebrasse uma aprendizagem que já vinha fazendo na escola anterior (e sabe-se que quanto mais cedo começam a aprender línguas melhor).
Quando lá chegámos, ela começou a fazer beicinho. A agarrar-se às minhas pernas. Percebi. Afinal, tinha acabado de a ir buscar à escola (onde me recebeu como se visse o sol depois de dias de escuridão) e já estava prestes a deixá-la outra vez. Então saiu-me pela boca fora a frase:
- A mãe fica sempre aqui na sala de espera, enquanto estiveres lá dentro. Estou mesmo aqui, pertinho de ti. Ficamos só com uma porta a separar-nos.
- Prometes?
- Prometo.
Ela sorriu e lá foi.
Eu fiquei a pensar como é que diabos ia fazer aquilo. Tinha de ir buscar o Martim para o levar para o ténis e tinha de ir buscar o Manel à escola para o levar para casa. Olhei para o relógio e pensei que, com rapidez e sorte, seria capaz de fazer tudo e ainda chegar a tempo. Podia acontecer falhar. E eu não queria mesmo nada faltar ao prometido. Mas também não podia deixar o mais velho pendurado e o mais novo sem ténis. Levantei-me e voei. Cheguei a casa, trouxe o Martim, segui para a escola do outro, fomos levar o primeiro ao ténis, deixei o segundo perto de casa para ir o resto do caminho a pé, adverti-o do perigo de atravessar aquelas duas estradas (como se ele não tivesse já ido montes de vezes sozinho a pé para a escola e para casa de amigos, atravessando estradas), expliquei-lhe o risco de um carro parar à beira da passadeira mas o da faixa do lado não parar e ele levar com um automóvel nos dentes, ele riu-se, Está bem, está bem, segui, estacionei à porta da escola de inglês e corri - sim, corri - para a entrada. Lá estavam as mesmas mães, sentadinhas, à espera que a aula terminasse. Tinha conseguido chegar a tempo de cumprir a minha promessa. Desabei numa cadeira, arfante, e nesse momento recebi uma mensagem no telemóvel. Era o Manel, com o seu humor particular.
- Atravessei a estrada! E não morri.
Ri-me alto. A porta da sala abriu-se, a Madalena sorriu ao ver-me.
- Adorei a aula! Amanhã vimos outra vez?



14 comentários

Comentar post