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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Útero rules

Estar deitada sem estar doente não é fácil. Estar deitada enquanto o meu marido chega do trabalho, leva o cão à rua, faz o almoço, põe a mesa, faz máquinas de loiça e roupa, estende, arruma, limpa… é pior ainda (a D. Emília está de férias). Sinto-me uma inútil e isso põe-me doida. Sei que é por uma boa causa, sei que há por aí muita gente que passou toda a gravidez assim enquanto eu só estou nisto há 4 míseros dias. Sei que aguento, claro que aguento, aguentaria tudo que não sou mulher para quebrar assim tão depressa. Mas que chateia, chateia. Não posso dizer o contrário. Enfurece-me, para ser sincera.
Não sei quanto tempo terei de ficar assim. O bebé não está propriamente em risco de me escorregar pelas pernas abaixo, não é esse o caso. O colo do útero está mais fechado que uma caixa-forte (seguramente mais fechado que a caixa-forte de alguns bancos). O meu problema é não poder ter contracções de espécie alguma, quanto mais contracções de 3 em 3 minutos! O meu problema é que estes repuxões do útero dêem cabo das costuras anteriores (relembro que já fiz 3 cesarianas) e que exista uma ruptura uterina o que, como julgo saberem, é meio caminho andado para ir desta para melhor (apesar de conhecer quem já tenha tido duas rupturas uterinas e continue por cá, fresca e fofa).
O médico mandou-me estar assim, deitada e de cabeça para baixo (quase), durante uns tempos. "Não é sentada, Sónia, é deitada e quase a fazer o pino". Quando lhe perguntei, na minha ansiedade costumeira, "quanto tempo?", respondeu que íamos falando. Hoje, a bem dizer, é o primeiro dia sem uma única contracção.
Os meus filhos estão nos avós e eu tenho saudades deles mas, por outro lado, agradeço que não estejam por aqui, que ia ser impossível manter-me assim, deitada e imóvel. Para a semana o Ricardo entra de férias e ontem, ao telefone, os pobrezinhos só me perguntavam "já não vamos para o Algarve, mãe?" Eu não tenho resposta para lhes dar. Tudo depende. Se a ordem do médico for manter-me sempre deitada, não, não iremos para o Algarve. O pai terá de reinventar as férias, dele e dos miúdos. Se o médico achar que isto estabilizou talvez seja possível ter uma vida muito calma por terras algarvias. Vamos ver. Neste momento, é o senhor útero que manda em nós. Uma família inteira aos comandos de um útero nervosinho. Até já imagino o título de um livro ou filme: "Cá em casa manda… o útero!" Cool.

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