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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Up and down

A minha tia (irmã do meu pai) estava doente há uma semana. 

Entrou no hospital ainda pelo seu pé, fraquinha, mas o seu estado piorou de forma absolutamente drástica e acabou por não resistir. 

Sábado fomos ao velório, domingo foi o enterro. Sempre violento tudo aquilo, as conversas, a forma como uns e outros lidam com a perda, os assomos de lágrimas de uns entrecortados com uma risada de alguém que acabou de escutar uma boa história. Parece sempre muito cinematográfico, tudo. E depois o cemitério, o vendaval, o grupo que se abeira do buraco, como se quisesse mesmo certificar-se de que aquilo aconteceu realmente, que é ali que a pessoa fica, num silêncio magoado e assustado e de onde saem balões de pensamento que dizem "quando será a minha vez?" E a seguir tudo volta as costas e, sim, a pessoa - ou o que resta dela - ali fica. Na última morada. Que merda de morada.

Saímos dali e fomos para a festa dos 70 anos de outra tia. Mais uma vez, a sensação de estar num filme. Quão esquizofrénico pode ser tudo isto? Sair de um lugar que não pode ser mais pesado, directamente para uma celebração de vida. Música alta, pessoas a dançar, comidas, bebidas, gargalhadas. Ueeeepa! 

Não era muito próxima da minha tia que morreu, sou muito mais próxima desta tia que festejou o aniversário, mas ainda assim acho que fica difícil não sentir isto como a metáfora da própria vida: nada para, tudo continua. Uns choram o fim, outros celebram mais um ano por cá. Uns ficam, outros permanecem, num movimento contínuo.

 

Talvez por esta mistura explosiva - e por ser recente a minha experiência com a doença e a morte (recente mas em modo "curso intensivo", caneco, tem sido um verdadeiro doutoramento à força) - ontem acordei com a maior enxaqueca que me lembro de ter. Não tenho muitas vezes, na verdade só me acontecem 2 ou 3 vezes por ano, mas ontem era como se um milhão de martelos pneumáticos se tivessem ligado dentro da minha caixa craniana. Não conseguia ver luz, tinha vómitos, tonturas, dores nos ombros, na cara, no pescoço. Tomei Benuron, horas depois Nolotil... e nada. Peguei em mim e fui ao hospital. E lá estive, a levar um cocktail jeitoso na veia. À tarde dormi. E hoje continuo um pouco para o drogadona, porque o médico mandou dar no Diazepam por mais uns dois dias, a ver se isto se vai. 

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