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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Uma semana a dois

Desde que temos filhos que fazemos uma semana de férias sem eles. É ponto assente, e ponto final. Há quem não possa, há quem não queira, há quem sinta calafrios só de imaginar uns dias de diversão sem as suas bonitas crias, há quem simplesmente não consiga por não ter com quem os deixar, por não ter dinheiro para ir para parte alguma, por ter filhos com problemas de saúde e não confiar em ninguém que fique com eles (algo que mexe comigo por dentro mas, sobre isso creio vir a ter notícias em breve), por não ter amigos que os levem para que, simplesmente, se barriquem nas suas próprias casas, sozinhos, a ver séries, a beber vinho e a fazer o amor. Há de tudo nesta vida, já o sabemos, e ninguém tem de chatear ninguém: nem os que podem e querem têm de evangelizar os outros, nem os outros têm de censurar os demais. 

A única excepção a esta regra que temos foi quando a pandemia nos trocou as voltas. Isso e a doença da minha mãe. No ano passado fizemos 20 anos de casamento, data que pedia festejo de arromba (leia-se viagem longínqua), mas a minha mãe estava em tratamentos, e acabou a ser internada no dia seguinte ao do nosso aniversário, pelo que o mais longe que fomos foi ali ao Alentejo para regressar e levar com a bomba atómica de a ter por um fio. Mas safou-se, que é rija, e a equipa de Santa Maria trabalhou que foi uma beleza.

Este ano tínhamos pensado em ir para longe, também. Mas depois há Covids por todo o lado, parece que a gente os vê aos saltos, e regras, e restrições, e aquele receio de que nos fechem as fronteiras e fiquemos ad eternum a viver num local paradisíaco mas infestado de bichezas, sem cuidados hospitalares de primeiro mundo, e longe dos nossos filhos. Ainda pensámos em Itália (queríamos alugar uma mota e fazer a costa Amalfitana), mas até à data em que marcámos tudo ainda estava em vigor a regra de confinamento de 5 dias obrigatório para turistas, mesmo que brandissem o teste negativo diante dos olhos das autoridades. E, sendo assim, chapéu. Começámos então a escrutinar o nosso país, tão bonito também, Douro? Alentejo? Gerês? Zona Centro? Açores? Madeira? Ganhou a Madeira.

Já tínhamos ido à Madeira algumas vezes, sozinhos, com miúdos, mas desta vez foi absolutamente perfeito. Não sei bem explicar se foi por estarmos tão sequiosos de estarmos a sós (os confinamentos engoliram-nos um bocado o namoro), não sei se foi por termos alugado uma mota (o que permitiu uma dose de diversão extra - as motas são um perigo mas oferecem uma sensação de liberdade e alegria diferentes), não sei se foi por termos escolhido tão bem o hotel (um mamarracho enorme mas por dentro com muita pinta e com uma piscina linda e totalmente em cima do mar), não sei se foi por termos vivido várias aventuras (desde um frio de rachar na subida ao Pico do Areeiro que nos fez gastar 90 brocas na loja do senhor Juvenal - uma loja de souvenirs mesmo lá em cima - só em dois pares de calças de fato de treino, um casaco de malha grossa, umas luvas e um corta-vento; sem esquecer a excelentíssima bebedeira na Taberna da Poncha; entre outras peripécias), se foi por aqueles mergulhos no mar frio, se foi pelas garagalhadas a fazer fotos, se foi pelo deslumbrante passeio pela Levada do Caldeirão Verde e pela Levada do Caldeirão do Inferno. Não sei. Sei que foi perfeito, que viemos de lá renovados, que reencontrei o meu namorado (de quem perco tantas vezes o rasto, de tão assoberbado que anda com um trabalho que roça, por vezes, a insanidade) e isso é, sem dúvida, um privilégio. Quanto à Madeira... fiquei cheia de vontade de voltar. Que ilha abençoada. 

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