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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Uma mãe chalupa ao vosso dispor

Hoje o Martim foi para a escola de Uber. Geralmente é o pai que o leva, e ao Manel, mas hoje o Ricardo não estava, o Martim entrava mais cedo e logo para ter teste (o ÚLTIMOOOOO!), o Manel ia com os pais de uma colega, e não fazia sentido estar a levantar as outras duas almas tão cedo da cama só para irmos todos levar o Martim. Fartei-me de lhe dizer para que me ligasse assim que chegasse, antes de entrar na escola (os telefones são proibidos lá dentro - e ainda bem), fi-lo prometer, e ele que sim, 'tá beeeeem, já disse que siiiiim, 'tá beeeem. Daí a uns 20 minutos, o telefone começou a tocar. Vim a sorrir, meu rico menino, não se esqueceu. Olhei para o ecrã. Não era ele. 

- Estou?

- Olá. Era só para dizer que acabei de deixar o menino na escola. Está tudo bem.

Nem queria acreditar. O incrível senhor da Uber, a quem eu tinha entregado o Martim provavelmente com aquele ar de mãe um bocadito apreensivo (a desejar um boa viagem nervoso como se fossem para o Turquemenistão), tomou a iniciativa de me ligar e eu não me cansei de lhe agradecer. 

- Muito, muito, muito obrigada pela sua atenção!

Mas...

Há sempre um mas nesta cabecita tortuosa, não é?

Pois é.

Logo depois da alegria pela surpreendente atenção do motorista, senti um frémito: "E se ele me está a ligar para me tranquilizar mas, na verdade, tem o puto amarrado e amordaçado na bagageira e vai seguir com ele para o Turquemenistão, para lhe sacar os rins?"

Sorri. Que disparate. És mesmo parva.

Serás?

Se calhar ligava para a escola, só para confirmar que ele entrou.

Não!

Que idiota, pá. Os motoristas estão registados, este não é um serviço habitual, ou seja, não deu para preparar um crime maquiavélico, era preciso galo aparecer logo um sedento por rins para levar o miúdo à escola. Tola, pá! (rindo entre o gozo verdadeiro e um leve desconforto)

 

Estava eu nisto quando o telefone voltou a tocar.

Era o Martim.

- Tou mãe? - sussurrou ele.

- Sim!

- Desculpa! Esqueci-me de ligar a dizer que cheguei! Mas cheguei e está tudo bem, ok? - dizia ele num murmúrio quase imperceptível (repito que é expressamente proibido usar telemóvel na escola e quem for apanhado está frito).

- Ok, Martim! Essa cabeça! Mas obrigada por teres ligado. Beijinho!

 

Sorri. Ufa! Que alívio. E que parvoíce ter imaginado que o simpático senhor da Uber pudesse agora... disparate.

A menos que... a menos que ele lhe tenha tirado a mordaça temporariamente só para... só para fazer este telefonema a sossegar-me. Oh. Nahhhhh.

😂😂😂

 

(agora a sério: muito, muito obrigada ao senhor Clarivaldo. Fiquei mesmo sensibilizada pela atenção de me ter ligado, por sua livre iniciativa )

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