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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Um último esclarecimento

Há agora quem diga que a notícia sobre o recuo do dador é falsa. Não é. Eu mesma entrei em contacto com a mãe que, sem confirmar confirmou, dizendo que não iria continuar a falar deste assunto, que o filho já estava revoltado que chegasse, e que para todos os efeitos o que importava era continuar à procura de um dador para o Gonçalo. Também uma prima do Gonçalo postou no seu blogue que o dador tinha desistido e acabou por mo confirmar, aqui no blogue.
A verdade é que já tinha vindo numa revista (podem ver AQUI) que o Gonçalo já tinha um dador compatível e agora a família continua à procura, revelando por isso que houve efectivamente uma desistência.
O que importa reter disto tudo? Que é preciso continuar à procura de dador. O que desistiu ou outro. O que importa é salvar este miúdo. E os outros, miúdos e graúdos, que esperam dias, meses, anos (se tiverem tanto tempo) por alguém que lhes permita continuar a viver.

E também fiquei a pensar nisto: será que é bom, afinal, fazer tantas campanhas para encontrar dadores, sem lhes explicar detalhadamente o que terão de fazer caso sejam compatíveis com alguém? É que este caso não é único. Quando fui chamada ao Centro de Histocompatibilidade, porque havia alguém com que eu era compatível, perguntaram-me se ainda estaria interessada. Ao que eu respondi, quase em choque: «Ora essa! Então se me inscrevi, como poderia não estar interessada?» As pessoas do Centro de Histocompatibilidade lá me explicaram que havia muitas pessoas que, na hora da verdade, mudavam de ideias.
Posto isto... pergunto-me: não seria melhor ter menos dadores, mas que soubessem realmente o que estão a fazer no momento em que se inscrevem, do que ter imensos dadores (Portugal ocupa o segundo lugar no registo europeu de dadores de medula óssea) mas que depois são, afinal, falsos dadores, pessoas que se inscreveram num ímpeto mas depois, quando chega a hora da verdade, não querem submeter-se aos procedimentos necessários?
Não estou a afirmar que seja melhor. Estou mesmo a perguntar. É um assunto para reflexão. Porque não sei como me sentiria se um filho meu tivesse um cancro, precisasse de um dador, de repente ele surgisse, e depois se desvanecesse. Não sei como será lidar com a esperança e depois levar com o balde de água mais gélida que a da Gronelândia.

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