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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Transexual recorre à eutanásia depois de operação de reatribuição de sexo

Esta história é terrível. Como são terríveis (quase) todas as histórias de transexuais, pelo menos até se apaziguarem com o erro cometido pela natureza. Esta história, porém, é diferente nisto: aparentemente não seria um caso "puro" de transexualidade. E daí a importância fulcral de se estudar a fundo cada caso, para se perceber quais as reais motivações por detrás. Já fiz uma reportagem sobre isto, há muitos anos, no Diário de Notícias, e os especialistas com quem falei abordavam sempre este aspecto.
O caso de Nathan, que nasceu Nancy, é paradigmático. Ela submeteu-se a uma cirurgia de reatribuição de sexo e, depois, não suportou o confronto com o seu novo eu. Mas talvez não tivesse sido assim tão difícil, na avaliação, perceber que o caso talvez se resolvesse com terapia (provavelmente uma looonga terapia). Porque na génese da sua vontade de mudar de sexo estava o desgosto de sempre se ter sentido rejeitada enquanto mulher. Os pais deram-lhe um quarto na cave da casa (ao contrário do que fizeram com os irmãos) e lastimavam-se, a toda a hora, por ela não ter nascido rapaz.
Ora, um transexual "verdadeiro", em princípio, não quer mudar de sexo para agradar a terceiros ou por traumas de infância. Ele tem, desde sempre, a sensação de ter nascido num corpo errado, num corpo hediondo que não entende, que não lhe pertence, do qual tem vergonha, repúdio, horror. Há casos de meninas que desde bebés que fazem xixi de pé e que, quando surgem os caracteres sexuais secundários, como as mamas, por exemplo, os rejeitam e até os mutilam. O mesmo ao contrário, com os homens que são, na verdade, mulheres em corpos masculinos.
Ser transexual não é uma mania, uma tara, um capricho de gente doida. Não é ser travesti, não é ser homossexual (ainda há muita gente a fazer confusão com todos estes conceitos). Ser transexual é ter um conflito brutal com o próprio corpo em que se nasce. Nem vos passa pela cabeça a violência psicológica que isto é.

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