Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Tell Me Who I Am

Vi há umas semanas. Que documentário do caraças. Dois irmãos gémeos, um deles tem um acidente de mota aos 18 anos. Perde totalmente a memória. Quando digo totalmente digo que deixa de saber o que é um prato, para que serve uma cadeira, uma banheira, um automóvel. Não conhece pai, mãe, amigos. Nada. A única pessoa que reconhece é o irmão gémeo. Podíamos ficar-nos só por isto que já era de uma riqueza emocional bastante. Mas não. A história, contada pelos próprios irmãos, é muito maior do que isto. O gémeo são vai então dando a conhecer ao outro que perdeu a memória toda a vida em redor: as pessoas, as coisas, os espaços, os sentimentos. Primeiro, aquilo que é mais imediato. Mas depois vêm perguntas mais profundas, sobre o passado. E é então que o irmão que ensina se dá conta do poder que tem. Compreende que pode oferecer ao irmão um passado que ele não teve. Um passado novo e bonito, em vez do passado terrível que ambos tiveram. Ao mesmo tempo que o faz está, inconscientemente, a reescrever a sua história. A limpar o seu cadastro. A contrariar a sua própria memória. Mas a verdade acaba sempre por vir ao de cima. E é tempo de contar o que realmente aconteceu.

Esta é uma história verdadeira de amor verdadeiro. De como quem ama quer salvar, proteger, apagar o mau e reescrever as linhas tortas, substituindo-as por linhas direitas. Uma história linda, triste, violenta, pungente. Na Netflix.

tell me.jpg

 

 

5 comentários

Comentar post