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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Gerês, dia 4

E depois deste pequeno interregno, eis o relato do 4º e último dia das férias da Páscoa. Era sábado e fomos a Pitões das Júnias. A rapaziada toda furiosa, que íamos demorar imenso tempo para lá chegar, que era um inferno de curvas, se não podíamos ficar no bungalow do parque, que se estava tão bem, e mimimimimi. Meus amigos, por muito bem que se estivesse no Parque da Cerdeira - e estava (já lá tínhamos ficado há 20 anos e voltámos a adorar) - não fazia qualquer sentido ficarmos em casa numas mini-férias e sendo, ainda para mais, o último dia! Por isso, fizemos aquilo em que nos tornámos peritos: fingimos que não ouvimos e toca a andar.

O dia estava frio mas não chovia, o que constituiu uma novidade muito agradável. Ainda conseguimos ficar um bocadinho a ler de manhã no terracinho de casa e os mais pequenos a brincar, logo a seguir ao pequeno-almoço, e só depois seguimos viagem. 

E o silêncio que se vive aqui neste Paraíso? Um sonho.

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Em direcção a Pitões das Júnias fomos vendo neve, no alto da montanha. Os miúdos perguntaram, entusiasmados, se íamos para lá mas nós fomos sempre dizendo que não - porque realmente achávamos que não íamos mesmo para o meio da neve.Mas à medida que fomos subindo fomos percebendo que sim... começou por ser uma nevezinha, depois começou a aumentar a cada curva, e de repente estávamos fora do carro a aproveitar para atirar neve uns aos outros - é irresistível, o pessoal vê neve e sente que tem de começar uma pequena guerra.

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Chegados a Pitões das Júnias, estava tudo cheio de neve.

 

Gerês, dia 3

Até tínhamos a intenção de ir dar um mergulho nas piscinas de Lobios, em Espanha. Até levámos os fatos de banho e as toalhas. Até acreditámos que íamos ter coragem para isso. Mas... confessamos a nossa fraqueza. Não deu. O dia que escolhemos para lá ir foi o mais frio de todos. Estava 1 grau cá fora, tinha nevado, chovia. Eu sou muito friorenta, pelo que disse logo "tirem daí o sentido, a mim não me apanham lá dentro, mas até vos seguro nas toalhinhas para vos receber quando saírem". Nada. Ninguém foi na conversa. Tudo tremia. Quando chegámos, a piscina de água quente estava com muita gente. Havia pessoas de fato de banho que saíam de lá roxas, a correr que nem setas para os respectivos carros ou para os balneários. Um frio que nem imagino. Pus a mão na água e era mesmo quente, tipo a piscina do Terranostra, em São Miguel (Açores). Devia estar-se muito bem lá dentro, sim senhora. Mas e sair??? Nah... Não deu para nós.

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 A cara de rufia do Mateus 😂  Mesmo a dizer: livrem-se de me despir e mergulhar ali!

 

O restaurante O Abocanhado tinha-nos sido recomendado por uma amiga e, depois, imensa gente no Instagram o sugeriu também. A minha amiga Raquel tinha dito "vale sobretudo pela vista", de maneira que andámos à espera que o nevoeiro se dissipasse. Mas como não havia maneira, acabámos a ir lá em mais um dia baço. Quando chegámos não deu para não rir. Vista? Qual vista?

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Comeu-se bem, é o que importa. Depois do almoço, São Pedro teve a amabilidade de empurrar um pouco as nuvens e lá conseguimos vislumbrar qualquer coisa.

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Dali demos um saltinho a Braga e depois voltámos para o Parque da Cerdeira, nossa base de operações. 

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Gerês, dia 2

No segundo dia fomos até Soajo, onde ficámos deslumbrados com a beleza dos espigueiros. Assim tantos juntos produzem um efeito contraditório intenso: porque apesar de serem casa de cereais, por isso, símbolo de alimento, fertilidade e vida, também fazem lembrar túmulos e morte. No fundo, representam a própria contrariedade da existência. E são lindíssimos.

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A caminho dos espigueiros, apanhámos um nevoeiro cerrado. E às tantas demos com um sítio fantasmagórico, com cruzes à beira da estrada, de novo a vida e a morte a par e passo. Uns ficam, outros seguem.

Depois de tirar a foto, uma amiga chamou-me a atenção para o facto de as árvores fazerem o efeito de uma caveira. Não tinha dado conta mas é mesmo verdade.

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Em Soajo, almoçámos num restaurante maravilhoso que não podem perder se lá forem. Chama-se Saber ao Borralho e é mesmo bom. Além de termos comido principescamente (como sempre, de resto, nestas terras), fomos tão bem tratados. Que simpatia rara, o dono do restaurante. 

Dali fomos ao Poço Negro, um lugar lindo onde se devem tomar uns banhos épicos no verão. Mas, nesta altura do ano, e a chover como tem chovido por aqui, a corrente é violenta e não são aconselhados banhos (além de que está um frio do caneco).

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 Ainda fomos a Castro Laboreiro mas chovia pedra, chovia tanta pedra que não deu para mais do que para sair e lanchar num café. Vimos a vila muito por alto porque estava mesmo ruim para passeios. Tem de ficar para a próxima.

 

Gerês, dia 1

Depois da viagem de cinco horas, chegámos por fim ao Gerês. Optámos por ficar no Parque da Cerdeira por um lado por nostalgia, por outro por razões práticas. A primeira tem a ver com o facto de termos aqui ficado há 20 anos, quando começámos a namorar. Ficámos num dos bungalows do parque, um pequenino, e foi mesmo bom. Tinha uma entrevista marcada com a Zita Seabra (estava no DNA, nessa altura - podem ler a entrevista AQUI) e passei esses dias a prepará-la mas, entre trabalho, ainda deu para passear, montar a cavalo e descansar muito. Já conhecia o Gerês e fiquei ainda mais encantada. A razão prática para ficarmos no Parque da Cerdeira prende-se com as casinhas. Com os miúdos às vezes dá mais jeito uma casa com cozinha onde possa desenrascar pequenas refeições do que propriamente um hotel. Além disso, fica mais barato. Não tem luxos mas a verdade é que a ideia não era ficar dentro de casa e a verdade também é que a vista que as casas proporcionam é o maior luxo que se pode ter num sítio destes.

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Ontem acordámos e fomos fazer uma caminhada de 10km. Chovia e tememos o pior, porque o Mateus é dado a choraminguice e já nos estávamos a ver perdidos no meio da serra, com ele às costas, todos ensopados. Afinal, surpresa das surpresas, ele aguentou-se que nem um herói. Andámos por caminhos complicados (Geira Romana), pelo meio de ribeiros em que ou púnhamos bem os pés nas pedras ou íamos parar com o pé no charco, subimos escarpas íngremes em que um pé em falso e lá vão os artistas todos uns atrás dos outros pela montanha abaixo. Nada de muito assustador, que também não somos assim tão inconscientes, mas bem puxadote, sobretudo para o mais pequenino. Choveu o tempo todo. Levámos impermeáveis mas não para as pernas. Ou seja, às tantas já tínhamos as calças encharcadas e alguns também os pés. Mas não houve queixas e vimos os vestígios romanos e uma paisagem de cortar a respiração. Claro que nos perdemos ou não fôssemos nós os desorientados do costume. Há dezenas e dezenas de outros trilhos para explorar, pelo que, se não nos cair o céu na cabeça (e se os sapatos e as calças secarem) vamos voltar a aventurar-nos pela serra. É tudo absolutamente deslumbrante.

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