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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Surpresa

De maneira que ontem saí de uma reunião, fui buscar o meu pai e viemos para Aveiro. Vinha feliz porque tinha tantas saudades da minha irmã e do meu sobrinho que chegava, por vezes, a ter dores físicas. Vinha feliz porque gosto de fazer surpresas e ninguém sabia que nós vínhamos. Vinha feliz porque, apesar da vida doida que levo, tenho a sorte de poder escapar-me assim, num dia da semana, sem nenhum chefe para me chatear, sem cartões de ponto para picar, sem horários para cumprir.
O risco da surpresa nos sair furada era reduzido porque ontem era o dia de aniversário da avó Mariazinha e, por isso, em princípio não andariam longe. Mal chegámos… nenhuma luz acesa. Cá de baixo, o que se via era janelas com escuridão por detrás. Depois, o meu pai ligou à Ofélia e ela lá disse que estavam em Coimbra. Tinham ido ao aniversário da filha de uma amiga. E o meu sorriso murchou. Achei melhor pedir ao meu pai que tornasse a ligar-lhes, para dizer que estávamos à porta, apenas para que não acabassem a decidir ficar mais duas horas em Coimbra, ou coisa assim. A seguir, chegou o meu cunhado e abraçámos-nos na rua, um daqueles abraços que são regeneradores, deviam dar-se abraços assim para melhorar a pele, deviam ser prescritos para doenças más, podiam bem ser obrigatórios em muitas circunstâncias.
De maneira que jantámos todos e beijei o meu sobrinho até ficar com tonturas, cheirei-o como se o farejasse, abracei a minha irmã como se a quisesse incrustar em mim, dormi regalada com o reencontro, e acordei às 4 horas da madrugada com os sacanas dos galos. Os galos nesta terra cuidam que às 4 já é de dia e larga de cantar ao desafio, quer-me parecer que fazem concursos de canto, um começa, de seguida vem mais um e outro, cada qual no seu tom, cada qual na sua arrogância de julgar que pode despertar toda a gente em redor, sacanas dos galos.
E agora estou aqui, a despachar assuntos sentada na cama, à espera que a minha irmã e o bebé acordem para aproveitar mais um bocadinho deles antes de voltar para Lisboa, raios partam esta distância que nos separa, raios partam Aveiro (com todo o respeito pela cidade, que até é bem bonita), raios partam esta vida que põe longe quem devia estar perto, imaginem só o que seria de mim se eles tivessem emigrado como tantos que emigram, e como provavelmente também emigrarão os meus filhos, que este país parece não ter futuro, mas enfim, não quero ir por aí nem quero pensar nisso, nem quero imaginar. Se estes já me fazem tanta falta, que será.
Agora vou, que já acordaram. Já oiço os barulhinhos bons de bebé no quarto ao lado. A ver se aproveito cada segundo.

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