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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Sofrer

O Martim foi à dentista. A Drª Filipa Cordeiro é sempre um amor, nunca na vida magoou o Martim (apesar dos muitos procedimentos por que ele já passou), ele sempre se mostrou corajoso e nunca na vida fez uma fita e, por isso, foi com espanto que hoje fomos brindados com o desespero dele ao saber que teria de arrancar um dente. A verdade é que os dentes de leite do Martim não abanam, não caem. Apodrecem, partem-se mas mantêm-se agarrados a ele como mexilhões nas rochas, impedindo o nascimento os dentes novos. Pior: como se partem, a comida entra lá para dentro e fica a criar cáries que podem prejudicar até os dentes definitivos que ainda estão por nascer.
Hoje o Martim esteve num sofrimento que deu dó. A assistente só revirava os olhos. A doutora Filipa teve um duro teste à sua paciência, que passou com distinção. Sempre amorosa, sempre paciente, sempre a explicar tudo, sempre a tratá-lo por querido até quando eu já começava a perder as estribeiras. Mandei mensagem ao pai que aproveitou a hora do almoço e voou para lá, para dar apoio moral. Uma hora e meia de medo, de muito medo, mais do que de dor. Muito tempo a convencê-lo a abrir a boca, muito tempo a acalmá-lo, muito tempo em negociações: "a seguir comes um gelado", "já não vais à escola à tarde", "dou-te 10 euros"... Saiu da cadeira com a t-shirt ensopada, os olhos pequeninos de tanto chorar, o corpo mirrado da nervoseira em que esteve mergulhado. No final disse a frase que explicou toda aquela revolta incontida: "A mim tudo acontece! É a mononucleose, é a alergia que me fez inchar, é os dentes que não prestam! A mim tudo acontece! Porquê?????" Pobre Martim. Está farto. E tem razão.

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