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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Só duas perguntinhas

Eu gosto muito de animais em geral e de cães em particular mas há um fundamentalismo que, por mais que me esforce, não consigo entender. Há pessoas que nutrem um tal amor pelos cães que acabam por proferir sentenças que me causam alguma inquietação, como esta: «Não há cães maus, só maus donos». A sério? Mas isto está provado? Não há cães maus, mesmo? Então quer dizer, há pessoas más, que as há, está provado. Gente ruim que nasce ruim, apesar de nada fazer prever tamanha ruindade. Gente desregulada, que entra numa escola e larga a matar crianças, apesar de ter pai e mãe e família estruturada e amiga. Mas cães... nah! NUNCA! Os cães são TOOOODOS bonzinhos, fofinhos, meigos, doces, com os pirulitos todos no sítio... Se fizeram mal a alguém foi porque... os donos foram maus! E ai de quem diga que o cão era mau porque nasceu mau, porque tinha um distúrbio mental qualquer que só naquele dia se revelou, tal como algumas pessoas que eram tão simpáticas e educadas e, afinal, vai-se a ver e guardavam uma criança na cave há 8 anos... Não, o cão nunca! O cão é perfeito.

Não estou a referir-me a este caso em concreto (do bebé que morreu depois de ser mordido pelo Pitbull), que não conheço os contornos. Sei lá se o cão era bom, se era mau, se os donos o chicoteavam ou se lhe davam bife do lombo às refeições e dormiam com ele na cama! Acho é que não se pode generalizar e dizer que «não há cães maus». Sabem isto como? De ensaios científicos? Estudaram 3 milhares de cães durante 10 anos para o poderem afirmar? Eu não sei se há ou não cães maus. Acho que deve haver, tal como há pessoas. Mas como não sei fico-me sempre pelo «Acho que...» E espero que quem profere estas verdades absolutas nunca tenha o azar de ter um cão que perca as estribeiras. Seria muito difícil ter de engolir o fundamentalismo e perceber que, afinal, havia mesmo cães maus, ou então ter de admitir que, apesar de tanto amor pelo bicho, no fim de contas não passavam de... maus donos.

Segunda perguntinha: esta coisa de se falar em negligência para com a criança que foi vítima do Pitbull, por parte da família, põe-me os cabelos em pé. Só quem não tem filhos, ou quem se julga perfeito, é que pode acreditar ser possível andar atrás de uma criança de 18 meses 24 sobre 24 horas. Acho perfeitamente normal que uma criança possa esquivar-se por momentos do controle dos pais e chegar até à cozinha. Para isto acontecer não é preciso uma hora nem meia-hora sem vigilância, a menos que esta família vivesse no Palácio de Buckingham. Bastam segundos de distracção, o que, a meu ver, é humano. Quem já teve crianças a cargo sabe como podem ser rápidas e matreiras.
Dizem-me: «Ah, mas eles tinham um animal em casa! Sabiam que ele é um animal e que um animal tem instintos, e que uma coisa destas podia acontecer!» Oi? O bicho estava lá em casa há 9 anos (se bem percebi), nunca tinha feito mal a uma mosca, e os pais tinham de andar com o bebé pela trela, não fosse o cão virar-se a ele? Mas porquê, se nunca em quase uma década tal tinha acontecido? A minha mãe tem uma cadela há 10 anos, sem raça, meiga como um peluche, que chora sempre que nos vê e praticamente se mija pelas pernas abaixo (se fosse pelas pernas acima é que era pior), deitando-se no chão para receber festas. Vocês acham que quando qualquer um dos meus filhos era pequenino eu andava sempre em cima, não fosse aquela maricas se passar da marmita? Se calhar sou um nojo de mãe, mas não. Estava perfeitamente à vontade. Andava atrás dos pequenitos, claro, atenta, mas muitas vezes se me escaparam por instantes. Como - estou em crer - à maioria dos pais normais.
Acusar os pais deste menino, que hão-de estar na mais profunda das misérias humanas, de negligência... perturba-me até às células. Até às células!

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