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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Se eu fosse Shiva e tivesse muitos braços… chegava de certeza a todo o lado

Na Índia, dei por mim a chorar descontroladamente muitas vezes, com as crianças que vinham pedir esmola. Eram tão pequeninas, lindas, com aqueles olhos escuros de um olhar muito penetrante.  Estavam descalças, rotas, sujas, chovia e estava frio, e uma delas jogou-se aos pés do Ricardo, beijando-lhe os sapatos, implorando por dinheiro. Uma parte de mim morreu ali, naquele instante. Há alturas em que acho que sou um bocadinho como alguns médicos e enfermeiros. De tanto já ter visto, nas muitas reportagens que fiz, criei uma espécie de carapaça que me permite defender-me. Já dei por mim, em alguns trabalhos recentes, a surpreender-me por não sentir a dor que era suposto. E achei que, se calhar, estava a tornar-me mais insensível, o que, por um lado é bom (porque me protege), por outro é um bocadinho cruel. Mas, na Índia, percebi que continuo um ser humano. E fiquei mesmo cheia de vontade de trazer uma daquelas crianças comigo. Felizmente que há trâmites legais a cumprir, caso contrário neste momento já não tinha uma casa, tinha um pequeno albergue indiano.
Voltei e o meu email está - para não variar - entupido de pedidos da mais variada ordem.
Hoje o meu coração derreteu-se com a Eva.
A sua chegada a este mundo, o seu parto, foi de tal forma traumático que lhe mudou o curso da vida, para sempre.
Há por aí algum benfeitor que queira despachar isto de uma vez e oferecer-lhe a cadeira eléctrica para ela poder brincar na escola?
Se não… vamos todos contribuir um bocadinho?

A Eva está AQUI.

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