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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Reuniões nas escolas

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O Manel foi para a escola aos 3 anos. O que significa que já levo 14 anos de reuniões escolares. Primeiro só dele, depois dele e do irmão, depois dele, do Martim e da Mada. Por fim, dele, do Martim, da Mada e do Mateus. Se só houvesse uma reunião por ano, creio que já teria frequentado 34 reuniões, mais coisa menos coisa. Mas como há escolas que fazem duas e três por ano... já devo ir aí na meia centena ou mais de encontros com professores, educadores e pais.

É giro ver a diferença entre os pais de primeiro filho e os que têm muitos. Regra geral os primeiros estão ainda na ilusão da perfeição (o que é bonito e comovente - não estou a ser irónica, é mesmo) e os segundos estão ali a 30% (sendo optimista) porque têm a cabeça em trezentos outros sítios e porque já foram a dezenas de reuniões iguaizinhas àquelas e porque, em bom rigor, já desistiram da perfeição por terem descoberto, por vezes dolorosamente, que ela não existe.

Nas reuniões também se vê logo quem são os pais que se descabelam pelo sucesso escolar dos filhos, que levam tudo com uma seriedade que não deixa de me perturbar, apontando tudo, fazendo perguntas que me deixam sempre um certo arrepio na espinha, tipo aos 2 anos querer saber qual "a matéria" que eles estão a aprender para "podermos reforçar em casa". WHAT??? No caso dos pais mais velhos, também já assisti a um pai que escrevia num caderno todas as respostas erradas que a filha tinha tido nos testes, enquanto abanava a cabeça furiosamente, e a gente estava mesmo a imaginar a cena: ele a chegar a casa e a pedir-lhe satisfações pelos erros (sendo que falamos de uma miúda que andava, salvo erro, no terceiro ano).

Depois há os pais que se queixam de tudo: do calor da sala, do frio, da professora, do recreio, da comida, dos manuais, dos colegas, dos equipamentos escolares, das regras, dos trabalhos de casa, da vida, em geral. Nestas alturas já eu estou a ver os emails no telemóvel e a olhar para o relógio, a ver quando é que aquilo termina.

Eu? Ai filhos, também tenho os meus defeitos, não pensem que estou aqui levianamente a apontar o dedo a vários subtipos de pais e a achar que sou incrível em comparação com os outros. Acho que me despreocupo demais, que oiço apenas metade do que me é dito (não admira, com a quantidade de gente que fala ao mesmo tempo aqui em casa), que depois ando aos papeis sem saber da missa a metade, que me esqueço por vezes de verificar as mochilas e, quando vou a dar por ela, há restos de bolachas e coisas que a professora mandou para assinar e eu não assinei, que não sei quando é a visita de estudo, que não sei quando são os testes, etc. A culpa disto é a de ter por hábito enterrar-me em coisas para fazer, e ter muitos filhos com respectivos afazeres, e não conseguir chegar a todo o lado. Geralmente ocupo-me mais do filho que está mais à toa, a patinar, a precisar mais que eu me concentre nele. E a esse não falho: escrevo as datas dos testes, pergunto pelos trabalhos, ajudo no estudo. Se os outros estão na maior... deixo a vida seguir o seu curso. 

Voltanto ao tema "reuniões"... já fui a três. Falta uma para terminar. 💪

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