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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Retiro

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Na semana passada estive uns dias no Douro, sozinha. Fui para poder escrever mas apreciei o facto de estar sozinha, de não ter de falar com ninguém nem de ouvir ninguém. E assim estive, posta em sossego, por 3 dias. Nem todas as pessoas gostam de estar consigo próprias. Muitas pessoas me dizem que não saberiam o que fazer, sozinhas, e que lhes faz sempre falta alguém por perto com quem comentar o que vêem, o que sentem, o que vivem. Eu adoro estar sozinha. Talvez pelo facto de estar sempre tão acompanhada, e de a minha vida ser um festim de gente, mas na realidade não sei se só por isso. Cresci bastante metida comigo. A minha mãe trabalhava muito, mesmo depois de sair do emprego (era tradutora e ainda consigo escutar o som da máquina de escrever a matraquear na minha cabeça), e eu ficava muito tempo no meu quarto, sozinha, no meu mundo. Foram muitos anos disto, pelo que o silêncio faz e sempre fez parte de mim. Hoje, com 4 filhos, sinto-lhe muitas vezes a falta, ainda que repita de mim para mim que é preciso apreciar o barulho porque um dia eles vão-se embora e vão ficar as saudades de uma algazarra constante.

Fiquei por três dias mas confesso que ficava mais tempo. Por um lado porque me dava jeito, para escrever mais (quando se tem casa cheia fica mesmo difícil), e por outro porque só no terceiro dia comecei a caminhar mais devagar, fiquei mais tempo sem tocar no telefone a ponto de me esquecer dele toda uma manhã, contemplei a paisagem com outra calma. Há um desaceleramento que leva o seu tempo a acontecer e a dar os seus frutos.

Posto isto, não posso deixar de agradecer ao meu homem, que ficou - e mais tempo ficaria - com os nossos miúdos, encarregue de toda a logística sem pestanejar. É, de resto, pelo facto de os saber tão bem entregues que não me custa tanto deixá-los como quando vamos os dois juntos. Não é que não os deixemos bem entregues quando vamos os dois mas ficarem com o pai é como ficarem comigo. Quase nem dão pela minha falta.

  

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