Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Relações entre pais e filhos

A relação dos pais com cada filho é tão diferente que chega a ser perturbador. Na verdade, não tem nada de estranho, místico ou metafísico. Não tem seguramente nada (na maioria saudável dos casos, pelo menos) a ver com preferências por um ou por outro. Tem simplesmente a ver com feitios. Com maneiras de ser de cada um. Com encontro de personalidades e a sua relação serena ou, pelo contrário, tempestuosa. A minha relação com o Manel não tem absolutamente nada a ver com a que tenho com o Martim e distingue-se rigorosamente da que tenho com a Mada. Com o Mateus ainda é cedo mas começa já por ser diferente no sentido em que educo menos e deixo-o mais mostrar quem é que manda lá em casa (mas é só porque estou velha, cansada e com muito menos tolerância e pachorra).

Às vezes queria conseguir tratar todos da mesma maneira, se bem que isso seria estranho porque são todos pessoas diferentes. Mas incomoda-me, por exemplo, perceber como choco muitas vezes com a Mada por ela ser mulher. Que me irritam certos amuos que os rapazes não têm (pelo menos os de cá de casa não têm). Aquele bater de porta, aquele revirar de olhos, aquele dramalhão. Ou quando é maliciosa daquela forma subliminar que só eu entendo... porque também sou mulher (uiii, isto é coisa para me caírem em cima mas eu também sou feminista por isso não me enervem).

Há dias em que sinto que fui injusta para com um deles. Que exigi demais ou que respondi torto ou que fui agressiva. Às vezes sou bruta. Durmo mal à noite. Acordo, abraço, peço desculpa. Peço muitas vezes desculpa. E tento ser melhor no dia seguinte. O que nos vale é haver o dia seguinte, para tentarmos compor o que ficou descomposto. Mas, pensando que pode não haver (nunca se sabe), talvez o melhor mesmo seja não deixar para amanhã e reparar ainda hoje. 

Isto de ter filhos parece fácil. Mas, se quisermos fazer a coisa bem feita, com o menor número de danos (e haverá sempre danos), é a tarefa mais dura e difícil das nossas vidas.

Sessão Família - AfterClick - LD - 096.jpg

Foto: Inês CM, After Click

21 comentários

Comentar post

Pág. 1/2