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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Regresso às aulas em tempo de pandemia

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Ponto prévio: sou obviamente parte interessadíssima em controlar a disseminação da Covid-19 e não embarco em nenhuma teoria chalupa da conspiração do tipo "isto é tudo um esquema para nos manter manietados", e que "a vacina vai ser um chip que nos vão introduzir no cérebro para nos monitorizar", ou outras convicções do mesmo grau de alucinação que já vi por aí. A todo esse pessoal: as melhoras. 

Feito o ponto prévio, e sublinhando desde já que não saberia como agir se estivesse na DGS ou no Ministério da Educação perante uma pandemia e que acredito ser um trabalho mesmo complexo, dizer que estou muito preocupada com algumas coisas que tenho lido sobre o regresso às aulas e que temo que a escola deixe de ser um espaço de liberdade e de comunhão e partilha para passar a assemelhar-se muito a um estabelecimento prisional.

A começar pelo primeiro dia de aulas. Para muitos já foi e já se confrontaram com isso, mas eu estou só na parte do sofrer por antecipação. Deixar uma criança à porta, numa escola onde entra pela primeira vez, deixá-la com um estranho que a recebe de máscara, e a leva para um sítio que nunca viu cheio de gente que nunca vislumbrou parece-me verdadeiramente assustador. Acho que seria importante haver um espaço de entrega das crianças à sua educadora, feita com serenidade e segurança, e não - como já ouvi que ia ser - à entrada, a quem estiver na porta, seja um segurança, uma auxiliar, seja quem for. Durante anos frisou-se o importantíssimo papel dos pais nesta ponte, para que a criança se sentisse segura, e agora estamos a cortar toda esta importância por um "bem" maior. Repito: compreendo perfeitamente que uma situação excepcional implique medidas excepcionais, mas não deixo de me inquietar com tudo isto. 

Outra das normas será a imposição de distanciamento físico entre crianças. Como assim? Quando o Joãozinho se aproximar da Luisinha alguém grita? Usam uma vareta comprida para os afastar, tipo gado? Vai ser cada um a brincar por si? 

Também já li que há escolas que vão reduzir os intervalos para 5 minutos e que não vão permitir idas à casa de banho durante os intervalos mas apenas durante as aulas. Say WHAAAAAT? Portanto, deixa ver se percebi: se um dos meus filhos tiver uma dor de barriga durante um intervalo tem de se aguentar estoicamente até que a próxima aula comece. O que vale é que não será uma longa espera: 5 minutos de intervalo? A sério? Cinco minutos?

Estou com muito medo de que, uma vez mais, não se esteja a ter em conta a saúde mental, como se nós fôssemos apenas corpo, e como se os males da alma não nos afectassem também o corpo - como se isto não estivesse tudo ligado. Conciliar a segurança física com a segurança emocional é um desafio, sem dúvida, mas era importante que não se perdesse de vista. A bem das crianças. A bem de todos nós.

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