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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Regresso à vida normal

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Os meus filhos estão a entrar na escola em suaves prestações. O Mateus foi o primeiro, na terça-feira depois de termos voltado de férias. Ontem foi o primeiro dia de aulas da Mada. O Manel começa na segunda e o Martim na quarta. Vão saindo, aos bochechos, e é aos bochechos que vou tratando de todo este regresso à vida de todos os dias. Não é propriamente fácil o jogo que é preciso fazer para encaixar as coisas todas nos horários de todos. Na verdade, é uma espécie de Tetris. Há o piano da Mada e a actividade desportiva que ainda vai escolher (a rapariga todos os anos se farta da modalidade praticada, é um castigo) para além da catequese (que este ano é um plus), há a guitarra dos rapazes mais velhos e os respectivos desportos, e este ano também o Mateus terá música e desporto, para lá da escolinha. É preciso escolher horários que encaixem nos horários da escola mas que também encaixem nos horários de todos os irmãos e no meu, porque mãe há só uma e eu, pelo menos, não consigo ter o dom da ubiquidade (com muita pena minha, também vos digo). Mas não me queixo, longe disso. Sou uma privilegiada, tenho a vida com que sempre sonhei (mentira, nem nunca a sonhei, achei sempre que não ia ser tão feliz como é). É complexo o início - olhar e ver onde meto o quê e como arranjo maneira de levar quem e onde (sendo que vendi o meu carro e, como me desloco de mota, não dá para levar mais do que um filho de cada vez) - mas depois entra tudo em velocidade de cruzeiro e já parece tudo fácil outra vez (tirando os dias em que, apesar de ter os horários deles todos afixados no frigorífico, me esqueço de levar ou de ir buscar ou de qualquer coisa porque... sou só humana). Pelo menos este ano já há uma boa novidade: a comida da escola da Mada passou a ser gostosa (era horrível) e acabou-se o ter de levar almoço no termo, que era mais uma cena na minha cabeça (se não sobrava do jantar era ver-me a cozinhar às 7h30 da matina, um perfume a peixe ou carne pela casa toda quando ainda só apetece sentir o cheiro a torradas). Aleluia! O resto vai-se fazendo. Uns dias melhor, outros dias pior. Não tarda faço anos, a seguir faz o Mateus, depois o Manel, tau, assim tudo de rajada. E depois, em menos de nada, é Natal. E 2019 chega e vêm num instante as férias da Páscoa e, muito mais depressa do que gostaríamos (apesar de termos muita vontade de lá chegar - são os contrasensos do ser humano), já estamos de molho outra vez, nas férias de verão. Ontem acabei de ler um livro maravilhoso (que não posso recomendar porque não está à venda, é uma edição de autor, com apenas algumas impressões para família e amigos, e eu tive a sorte de me emprestarem para ler - vai daqui um beijinho de grande admiração à avó Flor!) e que tinha uma frase (de Florbela Espanca): "Viver é não saber que se vive". E é. A gente passa pelas coisas, demasiadas vezes, sem lhes dar a devida importância, o devido valor. E depois... passou. Já as vivemos. Já foi. O segredo é viver sabendo que se vive. Estando atento aos detalhes. Degustando. É um exercício que tenho tentado fazer e que recomendo, neste regresso à vida normal. Se conseguirem... vão-se lembrando! 

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