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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Querido Baby M

O meu bebé é noctívago. Acorda-me a meio da noite, aos solavancos violentos, e eu imagino-o a dançar uma música que só ele consegue ouvir. Às vezes reajo bem, sorrio com aqueles ressaltos da minha barriga por saber que tenho ali um ser humano em construção, outras vezes, quando estou mesmo ferrada no sono, zango-me com ele e peço-lhe para ficar quieto, "por favor, bebé, fica quieto, deixa-me dormir". Mas, regra geral, ele não me ouve. Ou, pior, ignora os meus pedidos. E, depois de acordar, geralmente não consigo tornar a adormecer, de maneira que fico ali, quieta, à espera que pare a dança. Quando ele se aquieta, tenho vontade de o acordar: "anda, não querias festa, agora não me deixes para aqui sozinha".
A minha barriga está enorme e parece um saco de gatos. Ou um aquário demasiado pequeno para tanto cardume.
Cheguei àquela fase em que as pessoas me olham, na rua, com medo que lhes expluda na cara. Algumas até pestanejam incessantemente, como quando esfregamos um balão perto dos olhos de alguém. Não há dia em que não oiça um "está quase…" piedoso. Na verdade, eu não devia estar com vontade que estivesse quase. Porque, como já aqui disse várias vezes, sou daquelas mulheres que gosta mesmo deste estado. Para mim é realmente um estado de graça. Mas, neste momento, já começa ser muito pouco engraçado. Mexo-me com dificuldade, levanto-me para ir à casa de banho umas 10 vezes por noite, quase preciso de uma grua da Docapesca para me erguer, tenho uma azia de dragão, canso-me só de dizer uma frase comprida, desisto de muitos lugares de estacionamento estreitos porque quando abro a porta não consigo sair, e estou com a paciência (e o feitio) de um taliban a quem tenham maldito o nome do profeta.
Segunda-feira vou ao médico. A gestação vai nas 36 semanas e é sabido que não podemos deixar chegar às 40, por causa do meu útero super costurado. Ainda tenho duas festas de aniversário, de duas grandes amigas, a que não queria faltar. E o concerto dos meus rapazes, na Aula Magna. E gostava muito que houvesse 6 dias de diferença entre o aniversário do Manel (13 de Novembro) e o nascimento do baby M. E, já agora, também apreciava que isto se desencadeasse sozinho, em vez de ser aquela coisa desenxabida de marcar dia e hora, sem pingo de emoção (ainda que o desfecho seja, invariavelmente, o bisturi). Já sei, já sei: é muito pedido feito a um feto, ainda que já seja um senhor feto. Mas não custa a gente sonhar com tudo a bater certinho com os nossos planos, não é?
(mas, puto, se quiseres vir já hoje… anda!)

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