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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Querida estomatite aftosa:

Sabes que eu te odiei. Ver-te assim, tão propagada pela boca da minha caçula, não foi bonito. Perceber que a pobre não falava e não comia por tua causa fez-me ter por ti uma certa raiva, como imaginas. Sim, eu sei. Eu sei que estou sempre a dizer que a Mada fala demais. Mas... a gente diz coisas sem pensar. É como queixarmo-nos por um filho ser irrequieto e depois ele cair doente à cama. Arrependemo-nos logo, não é? Careful what you wish for...
Bom, isto para te dizer que, feitas as contas, agora que te foste (espero) até tenho algo a agradecer-te. Curioso, hein? Pois é. Tenho esperado uns dias para me certificar de que posso realmente escrever esta carta de agradecimento. Mas agora acho que já é certo. Já passou mais de uma semana. E a Madalena nunca mais quis a chucha. Doía-lhe quando as aftas estavam na sua língua e gengivas e lábios e depois disso culpou-a pelo que lhe aconteceu. Eu ajudei. Disse-lhe: «a chuchinha estava muito velhinha e cheia de bicharocos pequeninos que foram para a tua boca». E pronto. Never again. Dorme sem ela toda a noite, foi para a escola sem ela, não chora, não pede, não suspira, nem sequer se lembra dela.
Por isso... obrigada estomatite aftosa. Odiei-te mas, ainda assim, tenho isto para te agradecer. E deixar a chucha, quando se tem por ela uma paixão tão fervorosa, não é coisa pouca.

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