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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Quarta-feira negra

Ontem fui recebendo as notícias dos despedidos a conta gotas. No pinga-pinga com que se ia sabendo. De cada vez que o telefone apitava, até me encolhia pela perspectiva de quem iria ver ali, naquela praça dos condenados. Nomes seguidos, fulano, sicrano, beltrano. Um horror. Às vezes lembrava-me de alguém que conheço há muito e perguntava pelo seu nome. As respostas chegavam de seguida: "Esse fica", "esse sai". Um horror.
Passei o dia de peito apertado. Conheço aquelas pessoas há muitos anos, ainda que, com a maioria, não prive há muito (com alguns nem nunca privei). Mas com maior ou menor distância, senti as suas dores, ontem, de forma real e próxima. Imaginei o seu desalento, o caminhar arrastado pela redacção, o peso nos ombros, aquela vergonha e tristeza e injustiça de terem sido os escolhidos para sair.
A Fernanda escreveu um texto perfeito sobre quem sai e sobre quem fica.
Ontem foi um dia mesmo triste. 

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