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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Quando encontras um ex no caminho

Hoje quando estava a levar a Mada à escola (excepcionalmente de mota porque hoje o Mateus tinha com quem ficar em casa e porque ela confessou estar muito cansada para pedalar - claro que a hipocondríaca em mim ficou logo alerta para o cansaço dela, mas a racional em mim explicou à hipocondríaca que a vida que a miúda leva é, de facto, cansativa), parei numa passadeira para deixar passar o peão que se aproximou com o seu cão. Foi então que vi tratar-se de um ex-namorado. Ele sorriu, agradeceu e atravessou, mas é quase impossível que me tenha reconhecido através do meu capacete fechado que só deixa os olhos à vista. Já eu fiquei a vê-lo passar e inevitavelmente a recordar a relação breve que tivemos, há uma vida. Constatei que manteve o bom aspecto, magro, o sorriso bonito, bem vestido. Reparei no cabelo todo branco, que não lhe ficava nada mal, e reconheci a passada calma e o ar impecavelmente arrumado que inviabilizaria qualquer relação duradoura com uma pessoa como eu. Sorri dentro da concha do meu capacete e virei à direita, para a escola da Madalena. Que vida teria sido a minha, se tivéssemos continuado juntos?, ocorreu-me. Tornei a sorrir. É um exercício divertido e, ao mesmo tempo, inquietante. Que teria sido a nossa vida, a de cada um de nós, se um "se" não se tivesse metido pelo caminho? (reparem na profusão de "ses" que esta frase contém). Seríamos os mesmos? Ou outros? A essência manter-se-ia ou poderia diferir totalmente? Despedi-me da Mada com um abraço possivelmente mais apertado que nos outros dias. Afinal, ela podia não ser, não estar, não ter chegado a existir. Tudo se um "se" mudasse toda a história. Ainda bem que não mudou. 

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