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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Prova de vinhos do Tejo (todos de mulheres)

Sempre que vou a uma prova de vinhos deparo-me com a tortuosa questão de cuspir os vinhos.

Eu sei, eu sei, os especialistas não os podem beber porque estão ali a trabalhar, a avaliar os vinhos para depois lhes darem pontuação ou escreverem sobre eles, e mesmo que bebessem apenas um gole de cada um a verdade é que são geralmente muitos! E mesmo um gole de cada um, ainda que possa não embebedar, poderá seguramente toldar-lhes os sentidos do olfato e do paladar, o que não lhes permitiria um juízo correcto.

Porém... eu não sou especialista, meus amigos. Sou apenas uma apreciadora. E, por isso, tratei logo de avisar quem me convidou que, sendo 16 vinhos, o mais certo era ficar "trêbeda", mesmo que só engolisse um gole de cada um. Mas cuspir... NUNCA! Além de achar pecado cuspir o néctar dos deuses, também tenho de confessar a minha repugnância pelo acto de cuspir em geral, mas à mesa em particular. Não consigo, tenham paciência. E até observar quem cospe me deixa nauseada. De maneira que, sempre que ao meu lado os especialistas cospe, eu fecho os olhos e, em certos momentos, tapo discretamente os ouvidos (porque alguns fazem um som muito... particular a cuspir  Resultado de imagem para emoji nojo).

 

De qualquer modo, esta prova interessou-me por serem enólogas e produtoras de vinhos do Tejo. Ou seja, só mulheres. O mote era o mês de Maio, mês de Maria, nas vésperas do Dia da Mãe, num restaurante chamado "Mãe - Cozinha com Amor", na Rua Dona Estefânia. Achei: ora aqui está uma boa ideia, bem embrulhada, sim senhora.

O convite veio da parte de Luís de Castro, presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo (CVRT), e revelava o intuito de mostrar a diversidade que existe na região, mas privilegiando a sua identidade.

O programa começou às 11h, com a prova comentada de vinhos do Tejo (um vinho por enóloga/produtora), prova essa que se estendeu até às 13h, e seguiu-se um almoço.

 

Eis as enólogas e produtoras de vinhos do Tejo que estiveram presentes e respectivos vinhos em prova:

- Rita Conim Pinto - Minoc

- Mariana Cândido (não compareceu mas foi representada por João Silvestre, da CVRT) - Vale de Lobos (Quinta da Ribeirinha)

- Élia Vitorino - Badula Colheita Seleccionada (Quinta da Badula)

- Martta Reis Simões (não compareceu mas foi representada por Márcia, da equipa de Marketing da quinta) - Marquesa de Alorna Grande Reserva (Quinta da Alorna)

- D. Teresa Schonborn (não compareceu mas foi representada por João Silvestre) - Padre Pedro Reserva (Casa Cadaval).

- Joana Silva Lopes - Falcoaria Vinhas Velhas Branco (Casal Branco)

- Verónica Pereira - Casal do Conde Rosé Touriga Nacional (Casal do Conde)

- Sílvia Canas da Costa - Clarete (Quinta da Lapa)

- Chimene Geitoeira - Canto da Vinha (Sivac)

- Teresa Nicolau - O Mordomo (Solar dos Loendros)

- Anca Martins - Casatelo Templário (Casal Martins)

- Rita Vidal - Casal das Freiras Reserva (Casal das Freiras)

- Alexandra Mendes - Maximo's Grande Escolha (Alveirão)

- Antonina Barbosa - Falua Reserva Unoaked (Falua)

- Margarida Falcão Rodrigues - Casal da Coelheira Private Collection (Casal da Coelheira)

- Luísa Paciência - Paciência Moscatel (Casa Paciência)

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Gostei de ouvir a história de todas, de escutar as descrições sobre cada vinho, com aquelas referências à cor (granada, rubi, etc), aos aromas (fino, frutos vermelhos, madeira, etc) e gostei de ir ouvindo os comentários dos provadores ao meu redor, capazes de perceber se o vinho tinha estagiado em cubas de inox ou de madeira, e com imensas perguntas e obserevações que jamais me ocorreriam fazer. 

Cada vinho tinha o respectivo preço à frente e eu fui experimentando todos, dando apenas um golinho e despejando o resto (crimeeee) na cuspideira que tinha à minha frente. Às tantas senti que já estava mais soltinha e comecei a dar-lhe na água forte e feio, para não transformar a prova numa borracheira.

E qual foi o vinho de que mais gostei, qual foi?

Pois bem... o mais barato de todos: Canto da Vinha (Sivac), a 2,58€. Alguns especialistas ali perto ficaram indignados com o preço, outros disseram coisas como "a este preço não há milagres!" e eu a sentir-me um calhau com olhos, porque gostei mesmo do vinho. Às tantas, felizmente, houve uma voz que se levantou para dizer que aquele vinho era "muito correcto" e que esperava que, para exportação, aumentassem consideravalmente o preço. Eu achei-o tão bom que, quando chegou a hora de almoçar, foi o único de que me servi (mas gostei de vários - tenho nos meus apontamentos alguns vinhos com sinais +). De qualquer modo, ouvi os connaisseurs dizerem muito bem do Falcoaria e do Maximo's.

E pronto. 

Não sei se quem me convidou esperava aqui uma análise incrível sobre acidez, notas tropicais ou médios prolongados na boca... mas o meu parco conhecimento não dá para tanto. Limito-me a gostar de vinho e, pelos vistos, nem precisa ser caro! 😂

 

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