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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Os heróis deviam poder cruzar a meta

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Na semana passada conheci os Iron Brothers. Entrevistei o Miguel e fiquei deslumbrada com a sua força, com o poder do seu amor pelo irmão, com a garra com que contou todos os feitos e todos os projectos futuros. O feito que ele tinha para este domingo pode não ter sido alcançado em pleno, mas foi um feito do caraças, ainda assim. O feito era completar o Half IronMan de Cascais, mas o Miguel e o Pedro foram desclassificados por não terem chegado no tempo limite a um determinado ponto onde tinha de se chegar a determinada hora. Foi muito doloroso acompanhar o desalento dos irmãos, que tanto se esforçaram por conseguir esta proeza. O Miguel, de uma forma suprema, mas o Pedro também, porque não é fácil ir tanto tempo na mesma posição, ao calor, sujeito a todas as trepidações e curvas e balanços. Custa-me um bocadinho que o tempo de cut-off seja igual para eles, que partem no fim de toda a gente, ou seja às 8:01 da manhã. Mas enfim... são regras (se bem que ainda ontem os irmãos Pease fizeram o 70.3 de Augusta, EUA, em 9h11m15s - é a mesma marca IronMan mas aparentemente com regras distintas).

Foi lindo assistir a toda a prova, foi lindo assistir à não desistência deles, mesmo depois de se saberem desclassificados. Podiam ter ido para casa mas... isso não era de campeões. Se era para fazer, era para fazer até ao fim! E assim foi. Até ao fim. Ou devo dizer... até quase ao fim. Porque os dois irmãos foram impedidos de cruzar a meta pela organização. E isso deixou-me triste. 

Não esqueço o apoio que a equipa IronMan deu ao Team Vasco, foram incríveis nas menções que foram fazendo aos microfones, achei lindíssimo o cuidado que tiveram e as frases como "Vasco, you will me missed" comoveram todos os amigos e família que ali estavam naquela homenagem. Foi muito bonito mesmo. Acho que a prova estava bem organizada, acho mesmo espectacular o facto da marca IronMan organizar uma prova em Portugal. Mas (e é uma pena ter de pôr aqui um mas) o facto de não terem deixado aqueles dois irmãos cruzarem a meta foi uma atitude quanto a mim incompreensível. O motivo apresentado foi o facto de estarem desclassificados mas... daí até não os terem deixado cruzar a meta, numa altura em que já quase não estava ninguém a passá-la (pelo que a eventual desculpa de que iam "atrapalhar", estando desclassificados), é simplesmente pouco humano. O Miguel fez um esforço brutal para conseguir fazer esta prova, o Pedro (seu irmão com paralisia cerebral) estava felicíssimo por participar. Ambos tiveram um grande desgosto ao não conseguirem chegar a tempo ao cut-off. Mas ainda assim continuaram porque desistir não era opção. Fizeram a natação, a bicicleta, a corrida TODA. E depois não puderam cruzar a meta? Tiveram de ir ali pelo corredor lateral, como se fossem clandestinos? Depois de se saber desclassificado, o Miguel não queria medalhas, não queria constar das classificações. Só queria que o Pedro passasse pela emoção de entrar naquele corredor a ser aplaudido, e agora é inevitável que sinta que foi por sua causa que isso não aconteceu. E é cruel. E injusto. Então e todos os que também foram desclassificados e cruzaram a meta? Eu conheço alguns... porque é que esses não foram impedidos e os irmãos foram? Não percebo.

Os Iron Brothers não mereciam. Foi pena. As organizações de provas também têm muito para aprender no que diz respeito à inclusão. Temos todos, na verdade. E estas situações são típicas de quem vai à frente, de quem faz pela primeira vez, de quem abre caminho para os próximos. Mas, como prefiro ver o copo meio cheio, acredito que há sempre aprendizagens que se tiram do que não corre bem. Aposto que para a próxima a atitude já será outra. Acredito mesmo.

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