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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Operação Nariz Vermelho

Sou fã do trabalho da ONV há muitos anos. Tinha uma admiração monstra pela fundadora Beatriz Quintella (Doutora da Graça), que entrevistei mais do que uma vez, e acho que o trabalho que esta instituição faz é verdadeiramente notável, ao levar sorrisos e gargalhadas às crianças em meio hospitalar. Os palhaços não são voluntários, são artistas remunerados, justamente para se garantir a alta qualidade de um trabalho que requer extremo cuidado e uma sensibilidade que só alguns têm.
Ontem fui com a minha querida Inês acompanhar uma destas visitas a um dos serviços do Hospital de Dona Estefânia. Seguimos atentamente os passos das doutoras Tutti Fruti e Valentina Valentona no serviço 5.2 onde estavam crianças com doenças crónicas. Ou seja, crianças que passam a vida nisto dos internamentos. E se já admirava o trabalho da ONV, mais fiquei a admirar. Porque nem sempre é fácil arrancar um sorriso num hospital. Há crianças que há muito perderam a vontade de rir e que, por isso, resistem a entregar-se àquele momento de prazer. Há outras que estão zangadas com a vida, há as que têm dores, há as que estão desesperançadas (sim, é possível encontrar desesperança numa criança, e dói muito).
Assistir à evolução do sorriso é o mais bonito de tudo. Ver caras fechadas primeiro e ir percebendo a sua transformação. É mais ou menos como lapidar um diamante em bruto. Por detrás de uma pedra cinzenta pode estar uma preciosidade. É destas preciosidades que os doutores palhaços vão à procura. E geralmente encontram. E aí acontece magia.
Adorámos conhecer o Marco, um menino lindo e cheio de graça, que entrou logo na brincadeira. Riu-se muito com tudo o que as doutoras malucas fizeram (e nós também fomos incluídas na brincadeira) descobriu que tinha magia porque lhe nasciam narizes das orelhas e porque um toque na sua mão impelia as palhaças até à parede, ficou incrédulo com o facto do seu braço, ao ser apertado, fazer um som parecido com uma corneta. Foi, por isso, com espanto que o vimos começar a chorar, do nada, mas rapidamente compreendemos que o trabalho da ONV é também isto: despertar catarses, desabafos, explosões emocionais que estão contidas. O riso é o objectivo mas a verdade é que chorar pode fazer tão bem como rir, e o Marco experimentou tudo, numa montanha-russa de emoções.

A Operação Nariz Vermelho é uma daquelas instituições que merece MESMO o nosso contributo. Porque se o riso faz parte da vida de todas as crianças saudáveis (e não há nada melhor do que ouvi-las rir), nem sempre faz parte da vida das crianças doentes. E fazê-lo renascer é tudo. É meio caminho andado, até para que os tratamentos corram melhor, custem menos.
Podem ajudar ligando para este número 760 305 505 (custo da chamada 0,60€ + IVA) ou fazendo uma transferência para este NIB: 0036 0310 9910 0011 4395 6.

Mais sobre a ONV aqui: www.narizvermelho.pt





Fotos: ONV/Paulo Maria



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