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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Olivier Experience

Como vos dizia, nunca sonhei conduzir um Ferrari nem sequer ser conduzida dentro de um. Tenho outros sonhos de consumo, igualmente megalómanos (quando é para sonhar que seja em grande) mas o Ferrari (ou qualquer outro bólide similar), de facto, não fazia parte.
Quando o Olivier me propôs deixar o seu "carrito" (palavras dele) à porta de minha casa, para uma noite em grande, achei que era uma excelente surpresa para fazer ao Ricardo, apesar de também ele não ser lá grande fanático por carros.
O que eu não sabia é que um Ferrari não é um carro. É uma obra de arte. Mal o David estacionou à minha porta e eu escutei o poder do seu ronco fiquei como que tolinha. A tremer. Ele a explicar-me como ligar o bicho, como acelerar, como ligar o botão da marcha atrás e como meter a primeira e eu burra de todo, hein?, como?, ai, não percebi, hein?, onde? e se a gente não consegue?, e se acontece alguma coisa? Ai, David, guardas o animal na minha garagem, por favor? Sou incapaz de o fazer sozinha. Enfim. Coisas de saloia pobre. Afinal, ainda tenho muito a aprender com o meu filho Manel, como verão mais adiante, neste relato.
Os meus vizinhos hão-de ter pensado que nos saiu o Euromilhões (não saiu, ooooh)


Quando o meu filho Martim chegou (esse sim, um apreciador de carros), disse-lhe que tínhamos um Ferrari na garagem. «Ahhh! Quero ir ver, quero ir ver! Mas antes... deixa-me ir buscar uma coisa.»
Fiquei à espera. O que era a coisa? Eram os seus óculos a imitar uns Ray Ban aviator. O rapaz queria ir ver o carro mas sentiu que tinha de se "equipar" à altura. Mandei uma gargalhada sonora. Este miúdo tem um sentido estético, disso não há dúvida.
Estávamos na garagem quando o Ricardo chegou. Já sabia que ia ter uma surpresa, com o dedo do Olivier, mas não fazia ideia do que seria. Mal viu o carro ia tendo uma síncope. E quando soube que ia conduzi-lo durante toda a noite... ui!

Como estava na hora de ir buscar o Manel à escola, decidimos ir no bicho. Para sair da garagem foi uma dor de estômago mas conseguimos não lhe fazer nenhum risco (um risquinho numa brincadeira destas deve fazer parar a digestão a uma pessoa durante um mês). O Ricardo fez o Ferrari rosnar, perante o gritos do Martim (sendo que íamos devagar, que não somos malucos, mas ele ronca como se fosse a 300), e quando chegámos à escola os miúdos ficaram todos paralisados. O Manel, que estava dentro da escola (podíamos vê-lo sentado num banco), nem se mexeu perante aquele carrão. Foi preciso chamá-lo para que ele percebesse que éramos nós. E o que fez o Manel? Abriu a boca de espanto? Estacou e meteu as mãos à cabeça? Deu dois mortais encarpados de felicidade? Perguntou: «O que é isto, mas vocês estão doidos?»? Não. Nada disso, que o rapaz não é saloio como a mãe. O Manel cumprimentou-nos como se viéssemos no carro de todos os dias, entrou, pôs o cinto com uma normalidade desarmante. Só quando saímos da zona da escola é que sorriu um sorriso enorme e quis saber a que propósito estávamos nós tão bem montados.




Depois de deixarmos a criançada com a babysitter, saímos para a nossa noite especial. O "carrito", quando se acelera um bocadinho, parece que vai voar. Até as costas ficam coladas aos bancos. E nunca nos aproximámos, sequer, dos 340 km/h, o seu limite máximo. Trezentos e 40 à hora? A sério? Chegávamos ao Algarve em menos de 1 hora? (ou então ao céu). Cum catano...

Começámos por ir tomar um copo ao Honra, na Praça da Figueira. Mas antes... uma voltinha por Lisboa, onde ouvimos as observações mais divertidas por parte de quem nos via passar. Conduzir um Ferrari é uma verdadeira experiência sociológica. Ver as caras das pessoas, gente que quase tropeça, um que só não enfiou a cabeça num poste porque foi avisado mesmo na hora H, os sorrisos lânguidos das meninas, as bocas... uma maravilha. A exclamação de que mais gostámos - o que nos rimos! - foi a do tipo que começou aos gritos, na Estrela, de braços abertos:
- Pai! Ó paiiiiii! Ó paaaaaaaaiiiiiiii! Paaaaaaaiiiiiiiiiii!!!!!
Também gostei do rapaz, no Rato, que disse:
- Xiiiii.... Faço anos hoje.... podias deixar-me dar uma voltinha!
E depois a boca mais clássica:
- Não te esqueças de me entregar a chave à meia-noite! E tem cuidado com o carro, por favor! Estou aqui a pé por tua causa, mas é para isso que são os amigos!
Muito bom.
 Mojito especial (termina com um toque de Moet & Chandon) - perfeito

Marguerita de maracujá

O Honra estava cheio, cheio. De resto, acho que nunca vi um dos restaurantes do Olivier sem estar, no mínimo, composto. Não me espanta. Ele é excelente e sabe fazer as coisas. Há anos que sou uma apreciadora da sua cozinha, desde os tempos do restaurante no Bairro Alto, pequenino, forrado a madeira, super acolhedor. Já então o restaurante estava sempre à pinha. Agora são quatro restaurantes (Honra, Avenida, Yakuza, Guilty). Todos um sucesso.
Já uma vez jantámos no Honra mas também é possível ir só para tomar um aperitivo, antes de jantar. Foi o que fizemos. Eles têm uma selecção impressionante de cocktails portugueses, com Licor Beirão, amêndoa amarga e afins, mas nós optámos por um mojito e uma marguerita.
O Ricardo não bebeu a marguerita toda porque ia conduzir, de maneira que tive de ser eu a tratar do assunto (que chatice...). E lá fomos nós, jantar no Avenida. Aí fomos recebidos pelo próprio dono do carro, tão querido, que nos proporcionou uma noite mesmo inesquecível, amigalhaço para todo o sempre, se precisares de um rim ou coisa que o valha é só dizer
Sashimi fresquíssimo

Sushiiiii

Picanha de Kobe e linguini com molho de parmesão e trufas pretas

Hummmmm... 

 É o chamado sorriso Ferrari


Depois do jantar... mais uma voltinha no dito cujo, e acabámos a noite no Guilty, perfazendo uma verdadeira Olivier Experience. :) Estava um ambiente muito animado, com as bailarinas em cima do balcão, boa música, e toda a gente a dançar imenso. Foi o que fizemos até às 3 e picos.
O David era para nos ter levado a casa mas escapámo-nos à socapa. Achámos que já chegava de mordomias. A nossa noite foi perfeita. Inesquecível. Podem dizer: ah, é só um carro. Mas não é. É mesmo uma obra de arte. Apesar deste post ser comprido, a verdade é que não tenho palavras para agradecer este gesto, tão generoso e amigo. Olivier, mil vezes obrigada! Bates forte cá dentro!

P.S. 1: Com isto tudo houve uma coisa que mudou: agora tenho mais um sonho de consumo... antes, não incluía o Ferrari na lista de compras com o Euromilhões... agora já lá está.

P.S. 2: Podem odiar-me à vontade. Eu compreendo. Eu aceito. Eu aguento.

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