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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Obrigada, Cristina

Uma pessoa está cinzenta como o tempo. Vai para o aeroporto a arrastar os pés, até porque sabe que terá, daí a pouco, de dar uma má notícia a quem chega. Está com cara de Inverno ou de poucos amigos, vai dar no mesmo. Encosta-se àquele corrimão que separa quem chega de quem espera e ali fica, a ver chegar. Nisto, há uma voz de homem que grita uma frase imperceptível. Percebe-se apenas que é em francês mas nada mais. A voz é pujante e parece agressiva. Penso: pronto, já foste. É um terrorista que vai largar aos tiros por aqui fora. Encolhi-me ligeiramente por dois ou três segundos, o tempo que demorou a frase. Ao mesmo tempo, apareceu no meu ângulo de visão uma mulher e ele repetiu a frase em francês e em português: Je t'aime Christine! Eu amo-te Cristina! E eu repeti mentalmente a frase anterior, que me tinha soado imperceptível, e percebi que era a mesma frase. O homem tinha um ramo de flores na mão. Ela sorriu, embaraçada, abeirou-se dele, segurou as flores que ele lhe estendeu, e beijaram-se. Nós todos (e éramos muitos), que esperávamos alguém, largamos a aplaudir. A sala das Chegadas ficou feita final de espectáculo, com aplausos a ecoar fortíssimos, longos momentos. E eu, que sou uma palerma, comovidíssima com aquela cena, agradecida por aquele resgate à nostalgia em que estava mergulhada, e com um sorriso na cara até agora. É caso para dizer: obrigada, Cristina, por teres conquistado o coração do senhor que hoje deu uma pincelada de cor no meu dia cinzento.

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