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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

O vazio

Ir a um velório, engolir em seco, ir no caminho com aquele frio na barriga. Pensar no que dizer à família, que cara fazer, nem demasiado triste para não puxar tristeza, nem demasiado ligeira para não parecer que não me custa. Porque custa. Custa sempre. Chegar, abraçar o marido de quem partiu, um homem enorme e com um rosto bonacheirão, 78 anos de vida, e desejar egoisticamente que ele se mantenha assim forte, sorridente até, enquanto nos mantemos naquele abraço. Mas não. Quando os braços se largam, a frase: "Fomos sempre namorados. Até ao fim. Uma vida inteira. E agora ela foi-se embora. E deixou-me o vazio."
E as minhas palavras secaram.
Odeio a morte.
Odeio o vazio que ela deixa. Tão doloroso e irreparável.

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