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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

O meu cavalo bravo

É o filho sanduíche, com todos os dramas de ser o ensanduichado. Tem um irmão mais velho, que abre caminho e estreia tudo antes dele e, depois, tem uma irmã mais nova, que trouxe a novidade das meninas a esta casa. Ou seja: não é o mais velho, não é o mais novo, não é o único rapaz e também não é a princesa. Não é fácil. Durante muito tempo, o Martim usou a rebeldia para se destacar. A par com a rebeldia, parecia distante, pouco carinhoso, quase zangado connosco e com o mundo. Depois, foi compreendendo o seu lugar na família, percebeu que o nosso amor chegava e sobrava para todos, adaptou-se, encaixou-se, aprendeu a ter um lugar sem ser à bruta, sossegou. De quando em vez ainda tem as suas inseguranças, é dos três o que tem a auto-estima menos insuflada, e obriga-nos a cuidados extra porque, apesar de não parecer, é o mais sensível e o que mais sofre, ainda que para dentro.
O Martim não é de muitas palavras e carinhos (se bem que está infinitamente mais doce) mas, quando lhe dá para ser meigo, bate os outros aos pontos. Ontem pôs-me a chorar.
- Quando for grande quero ter uma mulher tão bonita como a mãe. E quero gostar da minha mulher como o pai gosta da mãe e que ela goste de mim como a mãe gosta do pai. E quero ter muitos filhos!
Às vezes temos dúvidas sobre o trabalho que vamos fazendo. Depois ouvimos estas coisas e achamos que, se calhar, estamos no caminho certo.
Este filho é o meu cavalo bravo, cada vez mais manso, cada vez mais querido.

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