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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

O Cocó faz anos! Viva o Cocó!

Fez ontem 13 anos que criei este espaço. Não é incrível? Treze anos! Comecei por insistência da Ana Garcia Martins (já então A Pipoca Mais Doce), que trabalhava comigo na revista Time Out Lisboa. Comecei por contar as peripécias dos meus filhos, então só dois, e rapidamente a coisa cresceu. Lembro-me bem de ir de férias a dois para as Maldivas, logo nesse ano da criação do blogue, e de ser chamada de tudo e mais alguma coisa por não levar "os meninos" comigo. Má mãe, egoísta, quem é que consegue deixar os filhos pequenos para ir com o marido divertir-se?, têm filhos para os outros criarem, entre outras pérolas que me deixaram a pensar que vivia na Idade Média e não sabia. 

Treze anos depois, ainda há quem pense assim mas, felizmente, apareceram muitos outros blogues onde vemos mães com vidas diferentes, com vozes diferentes, e que ajudaram algumas almas a compreender que a sua forma de serem mães não tem de ser a única, não tem de ser a certa, não tem de ser a melhor. Cada um exerce a parentalidade como acha que deve exercer e não há melhores nem piores, há diferentes. Quer dizer, há umas formas de parentalidade que são realmente obsessivas e absolutamente centradas na criança, sem deixar espaço para que mais nada cresça e se desenvolva (nomeadamente a própria mãe e/ou pai, e a relação do casal) mas isso já são casos patológicos e eu não sou terapeuta para falar sobre eles.

O que me importa dizer é que, ao longo destes 13 anos, este espaço foi mudando, foi-se adaptando à minha vida, aos meus ritmos, às diferentes fases da minha vida. Já foi muito centrado nas histórias dos miúdos, já foi mais sobre a vida familiar, depois passou a contar histórias de outras pessoas, com rúbricas como o "Mudar de Vida", o "Mulheres do Caraças", as "Histórias da Quarentena", e também alguma ficção lá pelo meio (rubrica "Conta-me"). Fiz parceria com marcas para criar rubricas como a "Receita Perfeita", em que cozinhava com uma selecção de leitores convidados; o "Consultório", onde conversava com o pediatra Paulo Oom sobre a saúde das crianças, o "Casas comigo", para mostrar casas de sonho, o "Clube de Leitura", onde uma vez por mês me juntava com um grupo para falarmos dos livros que tínhamos lido (a minha preferida, onde fiz amigos, e de que sinto imensa falta), entre outras. Tenho imensas ideias para outras rubricas, às vezes falta-me é tempo, dinheiro e alguma força anímica para as pôr em prática. Mas continuo sempre com projectos, ainda que muitos não saiam da gaveta.

O blogue já me permitiu viajar muito, ficar em hotéis de sonho, fazer experiências estupendas. Fui convidada para ir duas vezes ao Parlamento Europeu, com outros criadores digitais de vários países da Europa, para discutir novas formas de comunicação com os jovens, para estimular a cidadania e a participação cívica. Continuo ligada aos organismos europeus, no sentido de alertar para situações que se passam no nosso espaço europeu e para as quais muitas vezes há um desconhecimento ou - pior ainda - uma indiferença que têm de ser combatidos.

Às vezes não tenho sido justa para com os leitores deste blogue, desaparecendo por largos períodos de tempo, estabelecendo-me mais pelo Instagram, que é onde têm pedido mais a minha presença, comercialmente falando (e as coisas são como são, a malta tem de ganhar a vidinha). Mas sabe-me a pouco. É muita imagem, pouco texto, e do que eu sempre gostei foi de escrever. Ainda assim, no Instagram também criei uma espécie de rubrica, as "Histórias num Minuto", histórias infantis para contar em vídeo nos 60 segundos que o Instagram nos concede (sem ser em formato IGTV), que já se converteram em dois livros: Histórias Viradas do Avesso I e II, da editora Zero a Oito.

Têm sido 13 anos muito intensos, muito vivos, muito felizes. Criar este blogue permitiu-me acompanhar de perto o crescimento dos meus filhos, porque trabalho em casa e, assim, estou sempre cá para eles. E isso... isso talvez seja, de tudo, aquilo que mais valorizo. Estou certa de que a relação que tenho com cada um deles seria outra, se não fosse isto. Não estou a dizer que seria pior (o que seria altamente penalizante para quem não tem a possibilidade de dar aos seus filhos este acompanhamento), estou a dizer que seria outra. E eu não queria outra, queria esta relação, tal e qual como está. 

Obrigada a todos os que estão por aí desde o primeiro dia. 

Obrigada aos que chegaram entretanto. 

Obrigada.

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