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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

O borboto

Comprei uma camisola linda, linda, linda na Sacoor. Mas é que é mesmo linda. E ficaram lá outras quantas que gostaria de ter trazido mas, apesar de no dia em que lá fui estar tudo a 50%, continua a não ser uma marca barata, de maneira que me contentei com uma. Quando cheguei a casa, fui-lhe tirar as etiquetas. E foi então que dei com um pequeno cartão escrito, de um lado em português, do outro em inglês. Fui ler. Do que se tratava? Pois que se tratava de uma explicação, em português e em inlês, do que vem a ser o... borboto. Ora bem. Eu, que sou pessoa que até aprecia estar informada, agradeço a informação. Diz então que o borboto «é caracterizado pela formação de pequenas bolinhas nas superfícies dos tecidos e malhas, que se formam pela fricção durante o manuseamento e uso.» Ou, se quiserem: «pilling is the formation of little balls of fibres (pills) on the surface of a fabric, caused by abrasion during normal wear and cleaning.» A explicação não se fica por aqui. Explica também que o «borboto desprende-se facilmente das superfícies quando puxado suavemente». Ou, se preferirem: «The balls of fibres are usually easily removed pulling them carefully.»
O que me preocupa, na inclusão desta pequena etiqueta, é que parece que a marca me está a dizer: «Filhinha, esta linda camisola que compraste daqui a dois dias está irreconhecível, carregadinha de lindos borbotos. Posto isto, vamos então informar-te sobre a existência desse inimigo das roupas chamado borboto e o que fazer para o exterminar.»
Não gostei. Olhei para a minha linda camisola e engoli em seco. Temi (e temo) o o pior. E fiquei a pensar, de mim para mim (e agora partilho convosco a minha inquietação, que sou muito amiga de partilhar) que se tivesse botado os olhos na etiqueta antes de comprar a camisola, era bem capaz de não a ter comprado. E, depois de ter este pensamento, ocorreu-me deixar aqui a sugestão aos senhores Sacoor, pessoas que até aprecio, pela forma absolutamente fantástica como têm construído um império, e ao lado de quem até já passei uma Passagem de Ano, na Malhadinha (coisa mais boa desta vida!): Senhores, já pensaram que esta etiqueta pode ser contraproducente? Quer dizer, ser honesto é bonito e tal, mas botar numa camisola uma etiqueta sobre o borboto é quase o mesmo que pôr nos maços de tabaco aquelas frases sobre o cancro nos pulmões. E se é verdade que no que toca ao tabaco, poucos são os fumadores que ligam àquilo, já na roupa... não sei não.
Fica esta sugestão de uma cliente que muito vos estima. E que vai andar de olho na sua linda camisola, procurando friccionar-se e manusear-se o menos possível.

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