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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Multiplicação



















Amanhã fazes três anos. Faz três anos que eu saí para a maternidade, de mala aviada e barriga-barril prestes a explodir. Amanhã faz três anos que deixei o pai em casa com o Manel, para que ele não sentisse qualquer angústia com a tua chegada. O pai levá-lo-ia à escola, como num dia normal, e depois ia ter comigo à Cuf. Chamei um táxi e disse: "É para a Cuf Descobertas, se faz favor". O homem abriu muito os olhos, engatou a primeira mais nervosa da sua vida de taxista e exclamou, tentando mostrar calma: "Chegou a horinha, hein?" Depois desatou numa correria desenfreada pelas ruas de Lisboa, até eu lhe explicar que não havia pressa, "É uma cesariana marcada, não há contracções, não há aflições, não há sopros e gritos."
Sosseguei-o mas fiquei a pensar naquilo. Olhava a rua pela janela e pensava que isto de ter filhos que não descem tem o seu lado tranquilo mas falta-lhe a cinematografia de um pai aos ziguezagues e um carro de piscas ligados e buzina a avisar que ali vai um bebé a querer nascer. Ali, naquele táxi, ia só uma mulher a querer ter um bebé. Não um bebé a querer sair. Estranho, mas pronto.
Amanhã faz três anos que acabaste com as minhas dúvidas sobre se o amor que teria por ti seria da mesma intensidade que o amor que tinha pelo teu irmão. Quando te vi sair da minha barriga, quando te ouvi chorar soube logo. O amor pelos filhos não se divide. Multiplica-se. Amanhã faz três anos que me multipliquei outra vez. Obrigada.

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