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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Mostrar que se ama não é só com abraços e beijos. Mas também é

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Tenho pensado nisto dos gestos de afecto que se vão perdendo, por vezes quase sem darmos conta. Os miúdos vão crescendo e é normal que já não sejamos tão amorosos com eles, que não estejamos sempre aos beijinhos, aos abraços, até porque muitas vezes lhes sentimos o embaraço ou a falta de vontade, um certo "chega-te para lá" que não é - de todo - falta de amor, é mesmo só aquela fase de crescimento que implica uma certa distância. E é importante darmos aos nossos filhos essa distância. Para que cresçam, autónomos, sentindo o nosso afecto nos pequenos gestos do dia-a-dia, sem "pieguices". Mas... e se, de tão raros, os gestos de ternura se forem perdendo, devagarinho, com o passar do tempo? Se vamos abraçando menos, dando menos beijos repenicados, se não lhes passamos a mão pelos cabelos e, um dia, já for estranho se o fizermos? Por vezes, quando as adolescências são complicadas e pais e filhos andam anos em conflito, creio que seja muito fácil perderem-se de vista todos os gestos de ternura, porque uns e outros estão demasiado zangados para que as manifestações de carinho sobressaiam. Não é felizmente o nosso caso, com os dois adolescentes que temos em casa, pelo menos. Nem um nem outro dão problemas e, por isso, é urgente que não se perca mesmo aquele beijinho, aquele abraço, aquele afago. Ontem abracei muito um deles, porque senti que há já algum tempo que não o fazíamos. Ele é mais esquivo, mais dado à brincadeira e à palhaçada do que propriamente ao sentimentalismo mas, enquanto o abraçava, expliquei-lhe baixinho isto mesmo: não podemos esquecer-nos de mostrar o amor, porque senão um dia será tarde demais e qualquer abraço ou carinho será visto como um corpo estranho, um gesto inusitado, uma invasão. Ele ouviu, abraçou-me, e assim ficámos. 

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