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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Modus Humanus: mais do que uma orientação curricular, uma ferramenta de orientação pessoal e auto-conhecimento

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Foi na Passagem de Ano (mal sabíamos nós o ano que aí vinha). Falávamos de vocações profissionais, de alguma dificuldade do meu filho Martim em encontrar ânimo no panorama escolar, e de saber o que escolher num fututo próximo. E foi então que a minha amiga Rute me falou numa "cena" chamada Modus Humanus. Que era aquilo de que se falava no colégio dos filhos, que não sei quem tinha ido e que era espectacular, que era um psicólogo tão absolutamente assertivo que, depois dos testes, fazia dos miúdos uma tal análise que parecia que tinha vivido com eles na mesma casa desde tenra idade. Disse, de resto, que de ser tão analítico e certeiro há até quem lhe chame "o bruxo". Fiquei a pensar naquilo. Ela avisou-me que era extremamente difícil marcar, que tinha de ser logo no dia 6 de Janeiro, e que havia pessoas que nunca conseguiam que alguém atendesse do outro lado. 

Não foi duvidar da minha amiga (que tende a ser pessoa mais de acertar do que de falhar), mas a verdade é que não tinha sido nenhum dos filhos dela a ir lá, ou seja, tudo o que me contou foi por interposta pessoa, e não por experiência própria. E, como nunca tinha ouvido falar naquilo (eu que até acho que oiço falar em tanta coisa), decidi perguntar a mais gente. Calha que tenho uma página de Facebook com mais de 90 mil seguidores, muitos deles mães e pais, muitos seguidores há muitos anos (e, por isso, com filhos nas idades dos meus), e achei que talvez fosse o lugar indicado para perguntar se mais alguém conhecia e se também havia assim tanta gente a achar que valia a pena. Afinal de contas, 410€ é dinheiro, e convinha que valesse a pena.

Fiz então um post no FB e fiquei esmagada com os comentários e com as mensagens que recebi. Havia uma unanimidade espantosa: toda a gente dizia que era impressionante: havia miúdos que tinham mudado de área depois de ouvirem os resultados (com uma felicidade subsequente indizível), havia miúdos que tinham visto confirmadas as suas opções, havia os que tinham compreendido as suas fraquezas, havia os que tinham descoberto as suas forças. Recebi centenas de comentários, centenas de mensagens. Acho que não tive uma opinião negativa. E pronto: tornou-se a minha novíssima obsessão: tinha de conseguir marcar aquilo para o Martim, nem que me esfrangalhasse.

No dia 6 de Janeiro comecei a ligar à hora em que diziam que aquilo iniciava actividade. Impedido. Tornei a ligar. Impedido. E de novo. E mais uma vez. E outra, e outra, e outra, e outra, e outra, e outra, e centenas de vezes. Armada em esperta (é uma coisa que tenho muito, achar que sou espertinha), meti-me na mota e fui lá. A morada estava na net, era só ir, tocar à campainha e fazer a coisa presencialmente. Pois, claro. Cheguei lá e havia mais espertinhas como eu. Não muitas, é certo (provavelmente por já saberem que não valia a pena fazê-lo), mas algumas. À porta, onde estava um papel a dizer que não se aceitavam marcações presenciais, apenas por telefone. "Nós até estamos a ouvir as chamadas a entrar e até estamos a tentar ligar exactamente no momento em que desligam, mas não estamos a conseguir!". Uma delas revirou os olhos: já estou a tentar há dois anos. Say WHAAAAAAAT??????????

Liguei ao Ricardo e disse-lhe para tentar também. E assim foi, toda a manhã. Eu em casa a ligar, ligar, ligar, ligar; o Ricardo no trabalho a ligar, ligar, ligar, ligar. Sempre impedido. Houve um momento em que pensei que talvez não fosse conseguir. Mas depois pensei de novo: TENHO de conseguir. Se há miúdo que precisa é este, se há quem esteja tantas vezes desorientado e desmotivado é ele, se há quem me faça sentir perdida é ele. Caraças! Temos de conseguir.

Era uma e picos, hora de o Ricardo chegar a casa para almoçar. Eu estava a terminar o almoço, o pescoço de lado para segurar no telemóvel, que continuava sempre em tentativas vãs de encontrar a linha desimpedida. Até que, oiço a chave na porta e o Ricardo a falar com alguém que parecia ser Deus ou, se não Deus, talvez alguém que lhe tivesse dito que tinha acabado de ganhar o Euromilhões. Ele falava e saltava, até que o ouvi dizer: "Só um bocadinho! Só um bocadinho, que vou passar à minha mulher!"

Era a senhora da Modus Humanus. Ele tinha conseguido, o que, dados os relatos vários, era quase como ganhar o Euromilhões (vá, as hipérboles também merecem ter o seu espaço). Falei com ela e o Martim ficou marcado para dia 22 de Abril.

Mas entretanto veio o Covid, esse cabrão. E tudo foi alterado, até isto. Mandaram email a dizer que estava adiado, que haviam entretanto de remarcar. Os meses passaram. E o dia chegou. Foi esta segunda-feira.

Os inscritos tinham de chegar às 8:45, levar máscara, caneta azul. Mediram-lhes a temperatura e lá ficaram. Tínhamos ordem de os ir buscar às 13:30. Foram 4 horas e meia de testes vários. O fulano veio de lá com os olhos em bico. Nem conseguia articular muito bem, estava de gatas. Mandaram-no voltar às 17 e a nós às 18h.

Quando entrámos, o psicólogo mandou-nos sentar, disse que tudo o que nos ia dizer já lhe tinha dito a ele, em privado. Explicou que iria falar sobre as capacidades intelectuais dele, sociais, que diria se porventura lhe tivesse detectado alguma patologia psicológica, que ira desenvolver aquilo em que ele era forte, aquilo que seriam as suas fraquezas e, por fim, o curso que achava ser o indicado. 

Não vos vou descrever o que ele disse, porque é um retrato muito fiel do Martim e merece ficar entre nós e ele, mas além de ter sentido que foi realmente notável como ele o definiu com uma precisão cirúrgica, fiquei com a ideia de que pode ter sido aqui o incentivo que ele precisava para acreditar nas suas potencialidades. Um tipo que sempre achou que não tinha nada para dar ouviu que tem, afinal, muito para dar. E escutou-o com a surpresa de quem, de facto, não esperava. Não foi nada que eu ou o pai não lhe tivéssemos já dito mas, claro, uma coisa é o que dizem os nossos pais (blablabla Whiskas saquetas), outra coisa é o que diz um senhor com uns 80 anos, acostumado a analisar centenas de miúdos por ano.  O que ele também lhe disse foi que nenhuma potencialidade ou talento cresce sem trabalho, e que o terá de fazer no duro. Talvez esta parte não tenha sido lá assim tão boa de ouvir, mas em termos de auto-estima e de certezas sobre o caminho a seguir (o curso a seguir foi-lhe dito em modo de certeza absoluta e não de sugestão), creio que este possa ter sido o volte-face de que ele precisava.

Agora compreendo a dificuldade em marcar e o que custa esta análise. 

Obrigada, minha Rute. E obrigada a todos os comentadores do FB (e os que enviaram mensagem privada, na altura) a dizerem que isto valia mesmo a pena.

Eles não precisam da minha publicidade (em calhando até agradeciam que não os divulgasse mais, que não têm tempo para se coçar), mas aqui fica, para quem precisar:

Modus Humanus 

Av. Casal Ribeiro 18, 1000-013 Lisboa
 
Telefone: 21 315 71 56

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