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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Maratona de Paris

É este domingo.

Não vou fazer.

Espero que os meus amigos, que me ofereceram o dorsal, consigam perdoar esta falha. Mas a oferta foi feita no meu aniversário, no início de Novembro, e a seguir aconteceram tantas coisas ruins que perdi totalmente a vontade de treinar. E, como sabem, uma coisa é treinar outra coisa é treinar para uma maratona. Implica uma disciplina e um espírito de sacrifício que, nesta fase da minha vida, não estava a conseguir ter. Desliguei-me do plano, fui correndo e interrompendo à medida da minha vontade e - o melhor de tudo - sem culpas. 

Na verdade, sofro de uma síndrome de que estou a procurar curar-me (e estou a ser muito bem sucedida) e que é a "síndrome da super mulher". Toda a vida tive esta mania de acumular tarefas, de fazer mil e uma coisas, de acabar os dias já de madrugada, de língua a arrastar no chão, como se só assim fosse uma pessoa válida. Muitas vezes recusei ajuda, rejeitei ofertas generosas de colaboração porque queria provar (não sei a quem mas talvez a mim mesma) que era capaz de fazer tudo sozinha. Quantas vezes me senti um autêntico polvo neurótico: leva 4 crianças, dá uma corrida de 15 km, vai para o trabalho, faz 800km de carro num dia para duas entrevistas, dá banhos, faz jantar, treina mais um bocado, ajuda os miúdos com os trabalhos, lê livros, organiza workshops, vai a reuniões, inventa clubes de leitura, e rubricas de vídeo, e mais uma ideia, e mais uma proposta, e insónias pela noite dentro.

Por variadas razões (todas más) dediquei-me a procurar mudar o paradigma. Continuo a ter 1000 ideias por hora mas penso 10 vezes antes de pôr uma em prática. Permiti-me abrandar. Mas abrandar muito. O Ricardo ainda hoje dizia que até a comer estou mais lenta. E a caminhar. E a andar de carro (ainda bem porque já não dava para acumular mais multas). 

Nesta alteração de vida, decidi que se não tinha vontade de correr... era simples: não corria. Porque há muitas outras tarefas de que não dá mesmo para me livrar, mesmo que tenha vontade. Por isso, em podendo mandar borda fora a carga que me estava a pesar, era altura de o fazer. E fiz. E foi BOM! LIBERTADOR!

Resultados disto? Estou muito mais calma. Durmo muito melhor. Chego ao fim do dia e não estou morta. Tenho mais paciência (bom, não me transformei na Madre Teresa, há coisas para as quais a minha impaciência permanece feroz). Estou com mais disponibilidade para os miúdos. Melhorei o meu estado de tristeza. Leio muito mais. 

A maratona é este Domingo e nós vamos acompanhar um amigo que se inscreveu (também) por nossa causa. Eu tentarei fazer 21km, o Ricardo outros 21km. Além disso vamos torcer por uma grupeta gira com quem corremos quando estamos de maré. É possível que, estando lá, me custe não a fazer, sobretudo quando vir a multidão a puxar pelos atletas (acho que Paris bate os recordes de entusiasmo do público). Mas há momentos em que devemos respeitar a nossa vontade e não andar a reboque desta síndrome marada que me comandou durante boa parte da vida. Não, eu não sou a super-mulher. Que se lixe.

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