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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Lentes progressivas? Moi? Oh yeah, baby

Andava já há algum tempo a achar que não via bem, mesmo com as lentes postas. Mas, sabem como é, um dia passa, o outro segue, há dias em que até parece que não passou de uma impressão, talvez um cisco, talvez o desfoque fosse, afinal, do vinho do jantar. Mas depois punha os óculos (naqueles dias em que não apetece pôr lentes ou temos os olhos cansados e achamos por bem dar descanso à retina) e a sensação permanecia, com a agravante de estarem todos riscados. Entretanto, o Manel partiu uma haste dos seus óculos, colou-a, depois partiu a outra, colou-a também, até chegar ao ridículo de levar os óculos sem hastes, só mesmo a parte frontal que pousava no nariz, e foi então que achei que talvez fosse altura de os substituir. 

Fomos então tratar do assunto. Passámos mais de uma hora a experimentar óculos. Gosto de me ver com óculos e foi o cabo dos trabalhos para me decidir. É verdade que não são para usar todos os dias, mas já que vamos investir, que seja nuns mesmo giros. Fiquei ali indecisa entre dois, mas lá acabei por escolher. O Manel experimentou dezenas e dezenas, optou pelos mais feios da loja (possivelmente os únicos feios da loja), uns Gucci que o faziam parecer uma de 3 hipóteses: um velho dos anos 70, um mafioso dos anos 70, um actor porno dos anos 70. A namorada, ao ver a fotografia, rogou para que não fizesse uma coisa dessas, alguns amigos disseram que eram o máximo, outros perguntaram se estava doido. Eu abstive-me de comentar até ao momento em que percebi que ia mesmo trazê-los. Esquece. É que é mesmo um rotundo não. Sou muito pouco de fazer este tipo de tomada de decisão, acho que os filhos têm o direito de ter os seus gostos, mesmo que sejam horríveis, e já comprei coisas que me revolveram as entranhas. Mas... vá. Há limites para a parvoeira. E estava mesmo a ver passar-lhe a excentricidade em 28 minutos e depois lá ficavam os óculos esquecidos algures numa gaveta. Nah. À vontade não é à vontadinha. Com óculos tão giros à escolha? Tenha juízo.

Quando já estávamos todos frescos, com as escolhas feitas, para dizer que queríamos então mandar pôr lentes de ver nos óculos, a optometrista que nos atendeu torceu o nariz: "Já não fazem uma consulta há quanto tempo? Vão manter as mesmas dioptrias sem ter a certeza se não houve evolução?" Cerrei os dentes. Eeeeerr... pois. Como eu tinha lentes de contacto postas não deu para fazer a consulta mas o Manel seguiu logo para o gabinete. Cheio de sorte, manteve tudo igual. 

Já eu... voltei no dia seguinte. E foi então que ouvi a dolorosa: o olho direito, que era mais espertinho, passou de 1,75 para 2,50. E o olho esquerdo, que já tinha 2 dioptrias passou para 2,50. Ficaram gémeos na miopia, que queridos. E depois, mais uma punhalada: "Então e ao perto? Sente alguma diferença?" Se aquilo fosse um filme, a imagem passaria para todas as vezes em que esta que vos escreve pegou em qualquer coisa que estava na mão e esticou o braço para conseguir ler: o telemóvel, quando um dos filhos chega e diz "olha só isto!" (enfiando o telefone mesmo na minha cara); a ementa no restaurante; a bula de um medicamento; e até, mais recentemente, o próprio do computador (tenho empurrado o ecrã cada vez para mais longe, até estar já quase na outra extremidade da mesa). Nisto, a imagem voltaria até mim que, depois desta recordação de todas as vezes que estiquei o braço para conseguir enxergar, respondi: "Talvez uma ligeira diferença... de vez em quando afasto as coisas para ler. Mas não é sempre!!!"

A optometrista Ivone Rocha, da MultiOpticas da Avenida da República, olhou-me com bonomia. Sorriu, complacente, e disse: "Vamos só ver, então". Como quem diz "não há-de ser nada mas é óbvio que estás uma toupeirinha". Quando me meteu o papel com as letrinhas minúsculas diante do nariz pigarreei. "São letras?" Eram. Não via nada. Zero. As lentes foram aumentando, aumentando, aumentando... até que se fez luz. Ou letras, no caso. Conclusão: vesga. Preciso de... tcharan! Lentes progressivas. Foi o mesmo que ter recebido um carimbo na testa: BELHAAAAA! 😂

A Ivone disse então que não dava para escapar aos óculos com as lentes progressivas. E ofereceu-me logo umas lentes de contacto progressivas para experimentar durante um mês. Pensei que ia ser um desatino: como raio sabem as lentes quando preciso de ver ao longe e quando tenho de ver ao perto? É que nos óculos percebo: a parte de cima é para ver ao longe, a parte de baixo é para ver ao perto (e deve ser uma confusão do catano até a pessoa se habituar). Mas nas lentes??? Aquilo anda para aqui às voltas dentro dos olhos! Bom, certo é que... foi incrível. Saí do gabinete e parecia que tinham lavado o mundo. Tudo definido, brilhante, bonito! Caraças, uma pessoa pode até deprimir por ver o mundo desfocado! É que a diferença foi mesmo gigantesca. E o espectáculo que é, não fazer aquela figurinha de esticar o braço para ler uma mensagem no telemóvel? Realmente, há coisas que são tão simples de resolver e fazem uma diferença tão grande. 

Obrigada à Ivone, que foi uma simpatia, mesmo na hora de dar "más" notícias. Quanto a mim, já decidi que lentes progressivas significam PROGRESSO. É isso. São lentes de pessoas que progridem, que não estagnam, que querem sempre evoluir! É só isso que significa, está bom? (mentira, significa que estes olhinhos já viram muita coisa, e já viram e isso, meus amigos, é uma bênção!)

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