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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Já não há moscas cá em casa...

... ou melhor há, mas são cadáveres. O meu sogro trouxe umas tiras assassinas, de que algumas pessoas também aqui tinham falado, e foi certinho. As moscas eram atraídas pelas tiras e ficavam lá coladas. Uma morte muito deprimente e lenta. Não podia pensar muito no assunto que começava com vontade de ir lá salvá-las. Acho que tenho qualquer coisa de budista. Não mato bicho algum, mesmo que o odeie com todas as minhas forças (as baratas são disso um belíssimo exemplo).
As moscas foram falecendo e a minha casa voltou a ser minha. Agora temos dois cemitérios de moscas pendurados na cozinha. Não consigo tirar as fitas de moscas falecidas dali, apesar do aspecto nojento que aquilo tem, porque tenho medo que a praga regresse em força. E aquilo ali está, como uma bandeira de morte a afugentar qualquer bicha afoita que decida invadir o meu espaço.
Quando olho para o mosquedo morto penso nisto da vida e da morte. E em como provavelmente nenhum ser religioso, que acredite na existência da alma, se põe a imaginar almas de moscas a flutuar, felizes, na Eternidade. Quando imaginamos a vida para lá da morte nunca supomos que haja, ao nosso lado, baratas, moscas, piolhos e percevejos. No Além só parece haver lugar para homens e mulheres e criancinhas rosadas. Nada de insectos repugnantes.
Pois para mim, aquelas moscas mortas representam exactamente aquilo que eu penso sobre a morte de todos os seres vivos. É aquilo que ali está, e mais nada. Ponto final parágrafo. No fim, todos somos aquilo: coisas inertes e em vias de decomposição. Sem alma. Sem futuro. Sem mais. É pena, mas quando a morte chega não somos mais que... moscas.

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