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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Itália: finito

Ontem só não perdemos o avião para Lisboa porque não calhou. Estive mesmo a ver a coisinha mal parada, mesmo, mesmo, mesmo. Saímos de Rapallo de manhã e ainda fomos a Génova. De Génova, decidimos parar em Pavia. Caramba, fica difícil não querer sair em todas as paragens quando tudo nos parece apetecível. Como pessoa que aprecia ditados populares, aquele que diz que «Roma e Pavia não se fizeram num dia» fez-me pensar que devia valer a pena. Não fiquei fascinada, sobretudo porque a catedral, tão antiga, estava fechada e a cidade parecia meia adormecida, mas fiquei convencida de que todos os italianos giros estavam concentrados ali, e essa visão já não foi nada má. Almoçámos na Piazza della Vittoria, queijos e presunto e outras coisas muito light. Tínhamos tempo, garantiu o homem. Só que o homem esqueceu-se de um detalhe importante (e eu também não tive a diligência mental de o lembrar): é que o aeroporto de Milão não é mesmo em Milão. Fica a cerca de 50 km. De maneira que quando entrámos no carro e demos conta do erro de cálculo... estávamos MESMO atrasados. Pior: ainda tínhamos de meter gasolina e entregar o carro. Caos! Pior ainda: há radares por todo o lado e, por isso, não dava para acelerar (e o Cinquecento também não tem propriamente a potência de um Ferrari). Quando chegámos ao terminal 2, encontrámos todo o tipo de rent-a-car menos a nossa. Medo! (Não tínhamos alugado o carro no aeroporto, à chegada, mas sim junto à estação de comboios, daí a desorientação). Finalmente, perguntámos a um taxista que nos explicou que a nossa rent-a-car estava no terminal 1, a 5km dali. Pânico! Voámos para o terminal 1, entregámos o carro (por acaso foi muito rápido, caso contrário a coisa tinha-se dado) e, como o autocarro para o terminal 2 não estava, lançámo-nos sobre o primeiro táxi que vimos. O taxista, antipatiquérrimo, só disse «15 euros». Nós, enrascados como estávamos, aceitámos. Digamos que foi a viagem mais cara das nossas vidas, na relação distância/preço. Chegámos ao terminal 2 e a fila para despachar as bagagens era uma espécie de comboio infindável. Ainda assim, chegámos à porta de embarque e ainda havia 4 pessoas à nossa frente, ou seja, ninguém teve de esperar por nós ou gritar o nosso nome nos altifalantes do aeroporto (coisa que já aconteceu, numa outra vez).


Houve muita gente a pedir o nosso itinerário e então cá vai:
- Chegámos a Milão, onde ficámos a dormir (1 noite).
- Milão - Verona (1 noite)
- Verona - Bolonha (só de passagem) - Florença (2 noites)
- Florença - Siena - Rapallo (2 noites) - De Rapallo conhecemos Portofino, Santa Margherita de Ligure e as Cinqueterre
- Rapallo - Génova - Pavia - Milão - Lisboa
O nosso percurso está a encarnado


Notas finais sobre a viagem:
- Foi tudo programado em cima do joelho, como de costume, que isto é malta que anda sempre assoberbada com trabalho e cenas, ficando pouco tempo livre para extras. Alguém perguntava se tinha sido uma agência a marcar - não. Os hotéis foram marcados online na semana anterior e já havia muitos que estavam cheios. Ainda assim, ficámos sempre muito bem instalados (o nosso hotel em Rapallo era um design hotel mesmo em frente ao mar - perfect).

- Os italianos andam mesmo muito depressa na estrada. Conduzir em Itália não é para meninos. Mesmo na faixa da direita... é sempre a abrir!

- CUIDADO, mas mesmo muito CUIDADO com os radares. Durante boa parte da viagem, vimos sinais a dizer controlo electrónico da velocidade mas, como não víamos nenhum radar, não ligámos. Quando finalmente descobrimos um radar, percebemos que eles estão por toda a parte! Suspeitamos que esta viagem vai sair-nos muito cara, quando começarem a chegar as multas. Não é que tenhamos andado a uma velocidade louca, mas o limite é muitas vezes 90 ou 110. E a nossa média há-de ter sido uns 130 (até descobrirmos os radares).

- Não se pode generalizar, claro, também não gosto quando dizem que os portugueses são todos calões ou caloteiros ou penetras ou que as portuguesas têm bigode. Mas o que vos posso dizer é um facto: em 6 dias encontrei dois italianos simpáticos. Dois! Curiosamente, ambos no último dia. Um era um funcionário de praia e o outro era o empregado de mesa do restaurante «Grande Italia», em Rapallo (a quem fizemos questão de dizer como era simpático e deixámos-lhe uma gorjeta correspondente à simpatia ou, se calhar, correspondente ao alívio por não ser mais um antipático a tratar-nos com os pés).

- Não deixem de comer Burrata, alcachofra, queijos, presunto, enchidos, pesto, carpaccios vários (além das pizzas, massas, e o costume em Itália). Nas Cinqueterre, provem os canudos de peixe frito (aaahhhhhh....). Experimentem Spritz (uma bebida  cor-de-laranja tão refrescante). E Prosecco. E os vinhos, em geral, da região. E os gelados! Nhamiiiii!

- Não se esqueçam que o aeroporto não fica mesmo em Milão e, se forem entregar o carro no aeroporto, confirmem antes se a rent-a-car fica no terminal 1 ou no terminal 2. Este tipo de programação e organização devem fazer parte de qualquer viagem mas, connosco, é quase sempre tudo na base do improviso - à portuguesa, portanto, não generalizando... :P


Foi uma das viagens da minha vida. Uma verdadeira lua-de-mel (mais uma). Vimos sempre destas viagens super apaixonados, mais ainda do que antes. Estávamos com saudades dos nossos bichinhos e foi bom abraçá-los e cheirá-los e enchê-los de beijos. Estamos aqui com uma ideia maluca de fazer uma viagem deste tipo com a criançada toda atrás. Acho que um dia destes alugamos uma autocaravana e vamos tipo nómadas doidos por essa Itália afora! (não sou muito de campismos e caravanas mas acho que tinha graça).

Tenho de agradecer à minha mãe, super mãe e super avó, que ficou com os três para que pudéssemos ir conhecer mais este bocadinho de mundo. Ontem, foi-nos buscar ao aeroporto, com os nossos três passarinhos, e já tinha deixado o jantar orientado para jantarmos todos no terraço. :) Love u Mom.
Um beijo aos sogros que, vieram jantar com a minha mãe e os miúdos no domingo.
Um beijo aos primos Cristina e João, que os levaram a jantar fora na segunda-feira, a um restaurante italiano aqui do burgo. Love u, malta!

E agora... ao trabalho, que isto não é só rambóia!

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