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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Humilhação

Depois de 20 dias sem correr hoje foi dia de voltar à actividade. Já andava com a culpa a moer-me e a precisar urgentemente de mexer este real rabo. Eu já consegui ficar com o peso que queria, aqui há uns tempos, e agora estou apostada em voltar a conseguir, nem que leve um ano inteiro. O meu filho Manel, que esteve quase 3 meses inactivo por ter partido os dois braços e o maxilar, quis vir correr comigo. Eu assenti, se bem que um pouco contrariada. Pensei que me ia estorvar o passo, que ia ter de abrandar para que me acompanhasse, que ia ser um queixinhas sempre mimimimimi dói-me as pernas, mimimimimimi dói-me a barriga, mimimimimimi não aguento mais.
Fomos correr para um sítio tipo pista circular, onde mesmo que lhe desse um bom avanço poderia estar sempre a vê-lo. Começámos. Ele super rápido e eu, muito douta: «Vai devagar... olha que te estafas!» Ele não quis saber. Seguiu, deixando-me para trás. Eu fiz aquele ar de mãe sapiente, com a certeza absoluta de que a cria ia estar a deitar os bofes pelo nariz daí a quase nada.
Passou um quilómetro e ele continuava, cada vez mais longe. Passaram dois quilómetros e ele ainda mais distante. Comecei a acelerar, não só por principiar a crescer em mim alguma vergonha, mas também porque comecei a deixar de o ver, em alguns momentos um pouco perturbadores. Ao terceiro quilómetro, eu achei que falecia. E ele prosseguia, qual Carlos Lopes. Empenhei-me. Dei corda aos ténis e corri a uma velocidade a que nunca tinha corrido, em treino ou em prova. Mas ele parecia acelerar também. E a distância entre nós tornou-se enorme.
Bom, dizer que aos 5 km eu levantei um bracinho desesperado e gritei, numa voz trémula de moribundo: «Maneeeeeeel, a mãe vai paraaaaaaar!» Ele estacou, com algum desânimo. Quando cheguei perto dele (mais de 500 metros adiante), não estava ofegante, não estava ruborescido, não parecia minimamente cansado. Olhei para ele como quem mira um alienígena: «Quem és tu, pá? O que é que te deu?» Ele limitou-se a encolher os ombros, sobranceiro. «O que foi? Por mim continuava...»
E é assim que uma pessoa é enxovalhada por um filho de 11 anos.
Humilhante. Verdadeiramente humilhante.

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