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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Hoje é dia do meu sogro (e não foi o Hernâni Carvalho que disse)

O meu sogro faz anos hoje e eu gosto tanto dele que era menina para lhe apertar as bochechas (que não tem), mas ele ficaria demasiado atrapalhado e sem saber como reagir, por isso vou poupá-lo ao aperto. O meu sogro é uma espécie de esquilo. Muito rápido, sempre com pressa, sempre com coisas para fazer, todo determinado. O meu sogro é workaholic e não sabe. Estar parado é para quando se morre, e ele está vivo e bem vivo. Por isso, trabalha que se desunha, seja durante a semana seja ao fim-de-semana, de roda das árvores de fruto.
O meu sogro resmunga muito e a culpa de quase tudo é sempre da minha sogra. Típico de alguns homens da sua geração. A santa sogra suspira e revira os olhos. No fundo, aquilo já é mais uma piada, um gag, do que outra coisa: ele tem de descontar em alguém e ela está ali à mão. A comida está quase sempre rija, salgada, ensossa, cozida demais, cozida de menos, esturricada, desenxabida. Mas só a da minha sogra, seu alvo preferido! Quando calha dizer que está boa, batemos todos palmas e fazemos uma festa. Ele finge que não se ri.
O meu sogro tem um sentido de humor apurado, muito british porque tem sempre uma pontinha de ironia mordaz, e é muito inteligente. Gosta de ajudar, preocupa-se e não quer nunca que ninguém se preocupe com ele. Por isso, sempre que a minha sogra nos confidencia algum problema, ele zanga-se com ela e insiste connosco que não é nada, está tudo bem, são só os disparates da dona Manuela.
O meu sogro é sportinguista ferrenho e foi ele que incutiu a «doença» ao meu filho Manel. Até lhe ofereceu um lugar cativo no estádio e costumam ir ver os jogos juntos. O Martim já não liga tanto, apesar de também ser lagarto (outra hipótese não teria) e a Madalena ainda não liga nada (e até diz, às vezes, que é do Benfica - mas está a brincar.... medo!). Os meus filhos adoram-no e o Manel já se diverte com a resmunguice do avô (e até o imita, umas vezes de propósito, outras sem sequer se dar conta, porque são muito parecidos no feitio).
O meu sogro gosta muito de viajar pelo seu país, sobretudo para o norte. Dêem-lhe paisagens verdejantes e cascatas e têm ali um homem feliz. Também gosta de caminhar e de falar com as pessoas humildes das terras, partilhar saberes tradicionais, antigos, populares. E gosta de anedotas e adora charadas, daquelas que põem a gente a pensar que tempos para depois sermos surpreendidos com a resposta, afinal tão simples, bastava usar mais um neurónio ou dois. E gosta de fado. E de perder a jogar ao Eleven (não gosta de perder mas... perde mais do que ganha).
O meu sogro faz anos hoje e eu gosto muito dele. Como ele é um esquilo esquivo fica difícil dizer-lhe estas coisas cara-a-cara sem que ele fique tão sem-jeito que quase largue a fugir. Por isso, fica aqui dito. Gosto mesmo dele e espero que este dia se repita muitos e muitos e muitos anos.
Parabéns, querido sogro!

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