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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Gosto de médicos

Tenho pelos médicos um fascínio confesso. Acho admirável a capacidade de tratar do corpo humano, espantoso que alguém cure doenças e salve pessoas. Já acompanhei de perto estudantes de Medicina e sei que aquilo não é um curso para meninos. Temos muitos órgãos e veias e artérias e células e ossos e tendões e aurículos e ventrículos e porras que nunca mais acabam. Somos um verdadeiro tratado químico, com níveis que se afectam uns aos outros e que urge conhecer bem, para manter tudo em equilíbrio. É preciso saber tanto que, só por isso, um médico já teria o meu respeito. Mas depois, além disso, há os médicos que amam efectivamente a sua profissão e as pessoas que ficam sob a sua alçada. Médicos que se preocupam, que dão conforto, que sabem que estar doente é lixado e que estão ali, a dar tudo por tudo para curar aquele infeliz que soçobra perante a maleita.
Sou hipocondríaca confessa e gosto de médicos. Gosto de os ver passar, atarefados, com as suas batas e o estetoscópio pendurado. Gosto de os ouvir conversar em mediquês e não perceber absolutamente nada do que dizem. Gosto de ouvir as histórias que têm para contar, dos casos que já tiveram, sobretudo os que acabaram bem.  Gosto de hospitais, excepto quando sou eu a doente ou algum dos meus amores. E chateia-me que sempre que vá a um hospital seja, justamente, porque eu ou um dos meus amores está avariado. Na verdade, gostaria de poder ir sem a preocupação e o medo, só para ficar a ver e a ouvir. Por isso é que gostei tanto de fazer aquela reportagem sobre os estudantes de Medicina. Foram meses em hospitais, sem ter o peso da doença às costas. Acho que gostava de ter sido médica e ia sentir um orgulho do caraças da minha profissão. Consigo até compreender os médicos que se tornam arrogantes, sobranceiros, parvos mesmo. Não gosto nada quando são assim, mas no fundo compreendo. Caramba, alguém que tem o poder de salvar vidas (ou, por um mau julgamento, matar) pode muito bem ficar com a leve impressão de que é Deus.
E pronto. Ter estado no Curry Cabral estes dias deu-me para pensar nisto. Se houver outra encarnação acho que vou para Medicina. Se me encontrarem por lá e perceberem que estou com a mania que sou o Criador... façam o favor de me puxar os pés para a terra.

P.S: Também gosto muito de enfermeiros! (antes que me caia tudo em cima) Gosto mesmo. São muito mais próximos dos doentes do que os médicos, e podem fazer a diferença entre um internamento ser suportável ou insuportável. Mas... o meu fascínio, se não se importam, vai mesmo para os médicos.

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