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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Ganhei o Euromilhões, e agora?

Há um exercício que gosto particularmente de fazer todas as semanas: sonhar. É fácil, grátis e permite grandes voos sem sair do lugar.

Sonho que me sai o Euromilhões porque é um sonho que traz consigo vários outros sonhos, é a bem dizer uma matrioska de sonhos, uns metidos nos outros.

Na verdade, isto não acontece todas as semanas, é só quando o Ricardo joga (é raro eu lembrar-me de jogar).

Entre viagens e ajudas várias a muuuuitas pessoas, passando pela criação de um projecto solidário e uma revista, está sempre num dos primeiros lugares a aquisição (ou construção) de uma casa do caraças.

Mas é aí que esbarro sempre num dilema (que não chega a ser um dilema pelo simples - mas triste - motivo de que não me saiu realmente o Euromilhões e tudo não passa de um sonho). E o dilema (ou lá o que se queira chamar) é: onde é que eu ia comprar ou construir a minha casa de sonho?

Como sabem, sou pessoa que ama casas bonitas, grandes, umas de arquitectura moderna, outras de arquitectura tradicional, gosto sobretudo que tenham espaço exterior e muito espaço interior, e de preferência muita alma (pendo especialmente para as casas mais antigas, de pé direito alto, soalho de madeira, janelas de sacada, portas em bandeira).

Assim de repente, faria sentido construir uma casa de raiz. Caraças, com o Euromilhões uma pessoa pode escolher tudo ao pormenor, não é? Mas e onde? Junto ao mar fazia sentido, assim mesmo em cima do mar, coisa bonita e sossegada, toda uma vista tipo farol. Talvez fosse para Cascais, ali para a Quinta da Marinha. Suficientemente perto de Lisboa mas ainda assim suficientemente longe. Mas... por outro lado... e o bulício da cidade que eu tanto gosto? E os bairros de Lisboa, tão característicos, com a dona Odete da mercearia, o senhor João do talho, a menina Amália da loja das flores? Comprava um apartamento no Chiado? No Príncipe Real?

E assim fico um bocadinho, à sexta, a fazer de conta que isto é realmente uma indecisão, como se tivesse com efeito de escolher. 

E vocês? Têm dilemas destes? (lá vêm os haters do costume dizer coisas tipo "não, o meu dilema é mais saber se o dinheiro me chega até ao fim do mês ou se vou morrer à fome, ó idiota!"). Para onde iam morar, contem lá à vossa cocó. Fugiam da cidade, escolhiam um casarão no vosso bairro citadino preferido?

O que faziam ao dinheiro? Nunca mais trabalhavam ou mantinham-se fiéis ao vosso emprego querido?

São dúvidas que me assistem. E, para as dissipar, resolvi criar um inquérito absolutamente científico (é ironia, está bem?) para que possam sonhar um pouco também e dizerem de vossa justiça. Não há nisto qualquer outro propósito que não o da minha curiosidade e interesse por estas temáticas milionárias e respectivos dilemas absolutamente dilacerantes (ironia de novo!).

Depois partilho o que a maioria respondeu. 

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