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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Fluir

Filho mais velho protesta porque a T-shirt da Gap tem riscas rosas e brancas. "Na volta vão-me gozar". Digo-lhe para ir escolher outra mas que isso dos rapazes não poderem vestir rosa é de uma tacanhez medonha. Ele vai. Volta com a mesma vestida, diz que não vale a pena trocar. No caminho para a escola suspira. Pergunto o que foi. Responde que está nervoso. Pergunto se é da T-shirt, se quer que volte para trás para escolher outra, que passo uma a ferro, se preferir alguma que não esteja na gaveta. Responde que não. Que está nervoso todos os dias, não é de hoje. Que não me preocupe. Preocupo-me. Então mas não está a correr tudo bem? Está, mãe. Muito bem mesmo. Mas sou novo na escola e ainda tenho de me esforçar todos os dias. As coisas ainda não são naturais. Ainda não fluem. Assim mesmo. Ainda não fluem. Despeço-me dele à porta da escola. Ando uns metros, encosto, e tapo a cara com duas mãos. Se eu pudesse, Manel, fazia com que a vida te fluísse (a ti e aos teus irmãos) todos os dias. Mas nem sempre consigo.

(ainda assim, vou pôr de lado a t-shirt de riscas cor-de-rosa. Há estereótipos parvos que persistem, mesmo quando pensávamos que não)

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