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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Férias de Natal nos Alpes - II

Quem não gostar de esquiar está entalado, numas férias deste género. Porque não há praticamente mais nada que se possa fazer. Bom, pode passar-se o dia no hotel, a ler e a olhar pela janela a neve que cai e os teleféricos que levam os aventureiros para os topos de várias montanhas. Será certamente um sossego. Mas se por acaso se vai com o intuito de fazer ski e porventura não se gosta... vai ser um bocado frustrante. Para se perceber o nível de frustração basta dizer isto: ali, no Club Med de Alpe d'Huez, as as aulas começam às 9h e terminam ao meio-dia, e voltam a começar às 14h para acabarem às 16h. Ou seja, são cinco horas de ski por dia. Se não se gosta... são cinco horas de martírio diário. Auch.

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O meu sentimento pelo ski é um prolongado "W". Estão a ver a forma do W? Começa cá em cima, desce, torna a subir, volta a descer e sobe? Pois bem, foi isso. Talvez mais do que um W tenha sido mesmo a designação original de internet (World Wide Web- WWW). Numa manhã (ou deverei encurtar o período para uma hora?) podia sentir isto, em loop: "Odeio esta merda, que cansaço, quero ir para o hotel, vou-me embora agora mesmo!", seguido de "oh, afinal não é assim tão mau", seguido de "espectacular! Isto é mesmo fixe! E olha como me saí bem! Acho que sou uma natural born skier", seguido de "odeio esta merda, que cansaço, quero ir para o hotel, vou-me embora agora mesmo".

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As coisas com as primeiras professoras estiveram longe de serem fáceis. Eram exigentes, duras e uma delas chegava a ser má. Claramente não tinham paciência para nabos e rapidamente destrinçaram quem eram os que tinham jeito para aquilo e quem eram os cepos. Rotulada de cepo (ainda que não verbalmente) comecei a tentar desesperadamente fazer boa figura. Mas a tensão em que elas me punham fazia-me sempre cair, tropeçar, por vezes nas situações em que já não era expectável que isso acontecesse (tipo, estando apenas de pé, parada, com os skis nos pés). Houve um dia em que nos fizeram um teste. Tínhamos de descer uma pista mais difícil (naquela fase da aprendizagem) e, chegados cá abaixo, punham uns para um lado, outros para o outro. Eu e o Ricardo ficámos em grupos separados. Ele ficou no grupo dos maus, eu no dos bons (com o Manel e o Martim). Nem queria acreditar, sobretudo porque estávamos exactamente no mesmo ponto. Nessa tarde, fiz tanta asneira que acabei a ser enviada para o grupo dele. Foi o melhor que nos aconteceu. 

O novo professor era um querido. Muito paciente, muito calmo, sem urgências. Explicava individualmente, observava os erros, corrigia-os, sempre com um sorriso. Fazia lembrar o meu querido mister, Pedro Almeida, do Treino em Casa. Chamava-se Mael M. Conclusão: começámos a evoluir. Sem stress. Adorei-o. Foi a partir desse momento que comecei a ter mais momentos de "espectacular! Isto é mesmo fixe! E olha como me saí bem! Acho que sou uma natural born skier" do que "Odeio esta merda, que cansaço, quero ir para o hotel, vou-me embora agora mesmo!"

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Os pequeninos passavam a manhã no Kids Club (onde aprendiam ski). Depois almoçávamos juntos e, à tarde, voltávamos para as aulas. Encontrávamo-nos depois das 16h, para o aprés-ski e para o resto do dia juntos.

Sobre o hotel: este Club Med é, de todos em que já ficámos, o que tem os quartos mais modestos. Não sei quantos anos tem mas dá a impressão de já ter uns quantos. Mas, como não dormem em serviço, já estão em obras e este village vai ficar absolutamente incrível com os novos edifícios que estão em construção (e suponho que também vão modernizar esta zona onde estou).

De qualquer modo... é incrível como conseguem, em pouco tempo, fazer com que nos sintamos em casa. Fico sempre impressionada com os espectáculos bem ensaiados (por uma equipa que passa o dia a fazer outras coisas - da recepção ao restaurante passando pelo Kids Club), com a preocupação com os cenários (desta vez fiquei uma manhã nas mesas junto ao palco e vi um dos funcionários a pintar umas telas que iam ser cenário do espectáculo dessa noite), com a simpatia e familiaridade com que nos tratam (como se fizéssemos parte da "mobília").

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Outra das coisas em que o Club Med é imbatível (e este não é excepção) é nas refeições. Credo, se há comida aqui! Tanta, tanta, com tanta variedade que juro que me dá fastio. Acho que já não comia tão pouco há anos, apesar de ser tudo bom. Mas é mesmo aquela coisa de nem saber para onde me virar (acontece-me o mesmo nas lojas de roupa demasiado grandes, acabo sempre a não trazer grande coisa). Para os meus filhos, pequenas lontras em crescimento, é a loucura. É mesmo preciso fazê-los parar de comer. Além do pequeno-almoço, almoço e jantar, há um mimo para os preguiçosos (ou simplesmente exaustos de tanto ski): até por volta das 11h há uma bancazinha com pão, manteiga, doces, croissants, bolinhos, sumos, frutas. Assim, se não se desce até às 10h para o pequeno-almoço... não é preciso ir ao café da esquina. Está ali tudo o que é preciso. Para mim quase nem seria preciso mais nada - gosto deles por amor só por causa desta atenção. 

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