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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Férias de Natal nos Alpes - I

Tem sido uma semana espectacular aqui em Alpe d'Huez. Já tínhamos feito férias na neve (na Serra Nevada) há 17 anos (tinha o Manel 6 meses, e também foi connosco) e eu não gostei. Sentia-me sempre apertada, enchouriçada, carregada com skis e botas e casacos e batons e tralha, sempre cansada, sempre a cair, sempre em esforço. O Ricardo ia de manhã, para eu ficar com o bebé, e fazia snowboard com os amigos e tinha aulas. Eu ia à tarde ter com os nossos amigos, enquanto ele ficava com o Manel. Ficou sempre a dúvida se eu não teria gostado por ter de deixar o bebé no apartamento, por ainda não estar em forma, por não poder ir com o Ricardo e ir sempre sozinha no teleférico com as tralhas todas para ir ter com o resto da malta, que estava no cimo da montanha, por não aproveitar as aulas (que eram de manhã) e, por isso, não evoluir tanto como o resto dos nossos amigos.

Desta vez foi tudo diferente. Para começar, escolhemos o Club Med porque sabemos que é uma daquelas escolhas seguras (já estivemos no Da Balaia, no Algarve, no Yasmina e no La Palmeraie, ambos em Marrocos, e Itaparica, no Brasil, e adorámos todos). O facto de estar tudo incluído [estadia + todas as refeições + forfaits (são os cartões que dão acesso a todos os teleféricos que nos levam para as pistas) e aulas para adultos e crianças + animação nocturna + kids club] é, sem dúvida, um descanso. A única coisa que não estava incluída era o equipamento (skis, botas de ski, e capacetes), mas alugámos aqui mesmo no hotel. 

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No primeiro dia, achei que ia correr tudo mal. Quando fomos deixar os miúdos, o Mateus chorou quando o deixei, a Mada ficou triste. Fomos para as nossas aulas de coração apertado mas com a esperança que, à hora do almoço, quando os fôssemos buscar, estivessem entusiasmados. Mas não. Choraram que não queriam ir e eu, como mãe tuga que sou, não consegui deixá-los lá à tarde. Comecei a ver a minha vida a andar para trás e a história a repetir-se. Será que tínhamos de voltar a fazer tudo à vez, por turnos, para ficar sempre um de nós com os miúdos mais novos? Nessa tarde fomos todos para as pistas e eu e o Ricardo subíamos no saca-rabos à vez (um subia e ouvia um pouca da aula e descia a pista; o outro ficava cá em baixo com os pequenos; e assim sucessivamente). 

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Mas, nesse dia, ao final da tarde, os instrutores de ski vieram falar connosco. Assim assertivos (ia escrever ríspidos mas foi mais assertivos): que os miúdos choram no início, que é normal, mas que depois adoram, que é preciso dar tempo ao tempo, que já eram instrutores há 30 anos e sabiam do que falavam, que se começavam a faltar os outros iam evoluir muito depressa e eles iam ficar para trás, que não fazia sentido virmos para aqui e perdermos as aulas por causa de um choro que era passageiro. Pediram-nos para sermos mais insistentes. E eu, com um nó na garganta, comprometi-me a tentar (mas por dentro pensei: sim, sim, meus meninos, mas se amanhã for pranto de manhã e à hora do almoço... não contem comigo, que isto são férias não é tortura).

No dia seguinte, voltámos a tentar. Conversámos com ambos, explicámos que era importante que tentassem ir de coração aberto, que era verdade que não falavam a língua (nem francês nem inglês) mas que o Patrick arranhava algumas palavras de português e que estava lá para os ajudar. E eles lá foram.  O Mateus chorou mas à hora do almoço estavam entusiasmadíssimos. Que tinham feito ski, que tinha sido muito giro, que queriam voltar. Yeyyyy! Foi o princípio de uma excelente semana para todos!

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