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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

É tão certo como dois e dois serem quatro

Todos os anos este post vê a luz do dia e verá por mais uns anos, enquanto tiver filhos em idade de fazerem campos de férias. Sim, vou falar do Sniper, o campo de férias para onde os meus filhos vão todos os anos uma semana. Não por ser uma borla, que não é, mas porque eles merecem cada linha. Este ano o Manel já não foi (já no ano passado não tinha ido) porque está a estudar para um exame que ditará a entrada na universidade. Além disso, começa já a ter a sua própria agenda com os amigos, e é natural que queira experimentar coisas novas. O Martim foi muuuuuito contrariado. Não porque não goste de ir mas porque está a viver uma fase em que tudo é uma contrariedade. Tudo menos passar horas a jogar, claro está. Mas o nosso papel de pais é justamente contrariar a tendência para a inércia e para a total imersão no mundo electrónico. Mal estaria eu da cabeça se cedesse ao "não quero ir, estou farto, vou todos os anos". Está bem, abelha, o que tu queres sei eu. Foi. Ele e a Mada. E o Mateus só não teve guia de marcha porque ainda não tem idade (é a partir dos 6 anos).

Não há experiência melhor para as crianças do que um campo de férias. Fazem amizades, praticam uma série de actividades espectaculares, divertem-se ao ar livre, longe dos telemóveis (que são permitidos apenas meia hora por dia) e dos computadores (que não existem). Eles sujam-se, ganham autonomia, entre-ajudam-se. Aprendem a lidar com pessoas diferentes, com educações diferentes e pancadas parecidas mas também distintas das suas. Constroem, caminham, dormem no meio da serra. Fazem escalada, rapel, slide, atravessam um rio a caminhar (com água pelo pescoço, os mais pequenos, pela cintura os mais crescidos), vão a uma gruta, caminham quilómetros até chegarem ao local da serra onde constroem um abrigo para pernoitar. Jogam matraquilhos humanos, paintball, fazem karaoke... eu sei lá. São tantas actividades que nem sei se me lembro de todas. A liderar tudo isto está o Nuno Avelar de Sousa que sabe mais sobre a cabeça da miudagem a dormir do que a maioria de nós acordados. Que aproveita para conversar com alguns sobre a vida, sobre as dúvidas e angústias e revoltas que alguns manifestam (ou mesmo que não manifestem ele lá encontra maneira de as descobrir e lidar com elas).

No primeiro dia que falei com o Martim ao telefone falou emburrado, como se estivesse preso ou coisa que o valha. Depois? Depois já era só alegria. No final perguntei se valeu a pena. Que sim. Claro que sim. Por isso é que quando me dizem "O meu filho não vai porque não quer" penso que é pena que não vão na mesma. Às vezes - a maioria - temos de sair do nosso ambiente, onde nos sentimos seguros e confiantes, para descobrir novas aventuras que nos fazem mesmo bem. Às vezes custa. Não apetece. Mete medo, esse desconhecido. Rejeitamo-lo porque tudo o que não conhecemos nos traz uma certa insegurança. Mas depois... Depois é quase sempre o melhor que podíamos ter feito.

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