Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

É oficial: tenho um filho adulto

IMG_5124.jpg

O Manel fez ontem 18 anos. Dezoito. Já pode votar, conduzir, dar sangue, trabalhar, fazer voluntariado, viajar de avião para fora do país sem o consentimento dos pais, ir ao Casino, beber em locais públicos e ser preso (diz que ser preso já podia desde os 16 mas acho sempre que a partir dos 18 poderá ser preso assim mesmo à bruta, sem contemplações). Na véspera à noite levámo-lo ao Puzzle Room (uma daquelas experiências de ficar fechado numa sala e ter enigmas para resolver de modo a conseguir sair dela). Achámos que era a metáfora perfeita: agora que vai ser pessoa crescida, é bom que se acostume a puxar pela cabeça para sair de situações chatas, complexas, difíceis. Ser adulto é muito sobre ter jogo de cintura e ver além do óbvio. Foi isso que ali fomos fazer. Tínhamos 60 minutos para encontrar um mapa do tesouro e sair da sala onde ficámos fechados. Descobrimos algumas pistas sozinhos mas em muitas outras ocasiões fomos ajudados (há um ecrã dentro da sala e, depois de um gong, aparecem frases que vão orientando os mais burrinhos... como nós). Não tenho jeitinho nenhum para aquilo, começo entusiasmada mas depressa começo a desistir de puxar pela cabeça, acho tudo muitíssimo vago e rebuscado, e se dependessem de mim para salvar a pele numa cena de enigmas... estavam bem lixados. O Manel, apesar de ter algumas parecenças com o Scofield também não conseguiria escapar de nenhuma prisão e, por isso, é melhor que tente não ir parar a nenhuma. A verdade é que nos divertimos muito e saímos de lá com vontade de voltar para a outra sala ou para a missão na rua (nós fizemos "O Assalto" e há "A Ilha Perdida" e a "Lágrima Mortífera", além de versões para os mais novos).

3c1c3bf2-4e1a-4785-b9c0-97d60980e588.JPG

Saímos dali para o Seen, no rooftop do Tivoli Avenida. Demos as boas-vindas aos 18 num espaço lindo, super animado, com comida deliciosa e música boa. E aquela vista? O Olivier fez questão de dar um abraço ao aniversariante pouco depois da meia-noite (conhecemo-nos quando eu ainda nem era casada, de modo que isto também acaba por ser uma porra para quem está à volta, não é só para os pais...).

IMG_5123.jpg

Um agradecimento especial à Joana, namorada do Manel, que ficou em nossa casa a fazer babysitting aos irmãos do aniversariante, para podermos ir sair com ele. :) E fê-lo sem nos deixar pagar, o que ainda é mais incrível. Más línguas poderiam dizer que ela está a comprar a simpatia da "sogra", o que é totalmente falso. A sogra já se dá lindamente com ela, por isso é mesmo só ser querida. Inchem, sogras ruins e noras manhosas desta vida. Ponham os olhos nisto e sejam amigas, vá!

Bom... no dia seguinte (ontem), o dia de aniversário propriamente dito, acordei a medo. Afinal, é inevitável sentir o peso da idade quando um filho chega a este patamar. Pode levar-se na boa, cantando e rindo, pode ficar-se meio nostálgico ou pode mesmo ficar-se de cama. Julguei que fosse ficar de cama, por acaso, assim enroscadinha no escuro e em posição fetal, mas não. Acordei bem disposta e foi preciso o meu marido ser querido comigo para dar cabo da minha compostura. Imaginem só o grande sacaninha. Estava no seu trabalho e, perto da hora do almoço, disse para que o avisasse quando pudesse chamar-me um Uber. Avisei-o, o Uber apareceu e lá fomos, sendo que eu não sabia o destino mas achava que íamos para o Pão de Canela, onde ele tinha dito que almoçaríamos. Eis senão quando dou por mim em frente ao edifício que já foi o Hospital Particular, onde o Manel nasceu. E lá estava ele (o Ricardo, não o Manel) à minha espera. Ri-me e ainda pensei resistir à tentação de me desmanchar ali a chorar, mas quê?! Como é possível uma piegas como eu sair incólome a este golpe baixo? O meu marido é muito querido mas suspeito que tenha um fetiche qualquer em ver-me lavadinha em lágrimas. Estivemos para ali abraçados em frente a um prédio em obras não sei quanto tempo, quem nos visse pensaria que o prédio já teria sido nosso e o tínhamos perdido por um qualquer desaire financeiro. 

Dali fomos então para o Pão de Canela, que era assim a nossa espécie de cantina quando morávamos ali na Praça das Flores. O Manel deu os primeiros passos no parque infantil em frente, de mim para a Sónia (a então gerente do café/restaurante) e da Sónia para mim, e era o sítio certo para continuar nesta tarefa de esmigalhar o coração. Não sou nada aquele género de pessoa que evita a emoção (como já devem ter reparado). Gosto de sentir as coisas, mesmo que me façam chorar, ficar nostálgica, irritada, furiosa ou mesmo triste. De maneira que o Pão de Canela, depois do Hospital Particular, era mesmo o spot certo. Só faltava mesmo irmos à casa onde vivemos para fazermos o pleno emocional.

IMG_5141.jpgNão se deixem enganar pela foto sorridente. Muuuuuita lágrima já havia sido vertida por estas glândulas lacrimais

 

E pronto, à noite reunimos 18 almas à mesa, para celebrar a maioridade deste grande querido, o Manel, que tem sido um óptimo filho, nem podia imaginar melhor. No sábado que se aproxima será a festa dos amigos, numa moradia enorme e incrível que arrendámos para o efeito, e agora só quero que passe depressa e sem incidentes, que isto a pessoa tende a lembrar-se da sua própria juventude e teme o pior. Parabéns, meu puto adulto!

 

4 comentários

Comentar post