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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

E lá foi ele outra vez

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Ora então, como expliquei há coisa de um mês, a ideia era transformar este ano em que o Manel não entrou na universidade num ano ganho, mais do que num ano perdido. Ok, foi pena não ter entrado, foi chato, houve ali momentos de grande tensão familiar mas... a verdade é que não vale de muito chorar sobre o leite derramado. E a verdade é que, se tudo correr bem, o rapaz é novo e tem a vida toda pela frente (olha, também se não tiver a vida toda pela frente, que se lixe a universidade 😂). Enfim, não quisemos nada enveredar pelo caminho auto-destrutivo (não é nada a nossa cena) ou de o enfiar numa faculdade privada qualquer (ele não queria nada essa cena), em vez de tentar que neste ano pudesse então acumular o maior número de experiências enriquecedoras possível e, simultaneamente, estudar para fazer melhorias de notas e voltar a tentar entrar este ano. Se não conseguir... bom, batatas. Gap Year é, como se pode constatar, uma expressão no singular e, como tal, é este e acabou-se. Poderá ter outro eventualmente depois de concluído o curso, sim senhor, até acho catita antes de malhar com os ossos no mercado de trabalho. Mas antes de entrar para a universidade... é um. Um aninho de tolerância. Chegados aos exames é bom que o rapaz tenha enfiado as matérias no cérebro, que isto não é a Santa Casa.

Adiante.

A experiência de um mês na ilha do Príncipe foi muito marcante. Fazer voluntariado é sempre uma revolução interior, fazer voluntariado num lugar onde falta tanta coisa é ainda mais avassalador. O Manel dormiu numa casa onde havia baratas a passarem-lhe por cima à noite, onde os ratos se passeavam no quarto, onde não havia sempre água (e nunca havia água quente), onde não havia sempre luz, conheceu crianças com vidas muito diferentes da sua, com muitas falhas de bens básicos, mas com uma alegria que, muitas vezes, lhe pareceu quase um enigma. O que cresceu emocionalmente, o que aprendeu em termos de realidade distinta da sua, o que se descentrou, olhando em redor, não está escrito, sobretudo não está escrito nos manuais da escola. Isso e todo o desenrascanço que teve de ter, não só no que diz respeito à viagem propriamente dita, como a gerir o dinheiro para o mês, como a lidar com outras pessoas, ou a definir o programa de voluntariado que foi, com outras colegas, alinhavar (porque foi a primeira vez que a associação Para Onde trabalhou no Príncipe).

Voltou há uma semana, matou saudades de família, amigos, água quente e outras "mordomias", e agora tornou a partir. Para... o extremo oposto, que isto cá em casa é assim: ah, não entraste na universidade? Então vais ser mergulhado em realidades antagónicas como se levasses chuveiradas de água quente e água fria, intercaladamente, que é para ver se abres a pestana. 😂

Mentira. A ideia foi dele, paga com o dinheiro que ganhou em aniversários e trabalhos temporários. Queria aproveitar a paragem para aperfeiçoar o inglês. Podia tê-lo feito por cá mas a ideia era, uma vez mais, juntar o útil ao agradável. Aprender e estar imerso num país onde se falasse a língua, que é, como se sabe, a melhor forma de aprender uma língua. Apresentou-me a EF - Education First (que eu já conhecia, mas só por alto) e falou-me dos vários amigos que tinham feito cursos em vários pontos do globo e tinham adorado. Vai daí e começou a organizar tudo, a fazer os contactos, a pensar nos destinos possíveis. E escolheu... Nova Iorque (chamem-lhe parvo). Fui com ele a uma reunião na EF (ok, tem 18 anos e vai pagar e tudo e tudo mas sou mãe dele e queria certificar-me de alguns pontos) e claro, como o mundo é pequeno, estava na reunião uma amiga de uma amiga e o rapaz acabou a beneficiar de uma espécie de parceria (sortes que advêm de ser filho de uma blogger, ainda que se chame Cocó). Seguiu-se a marcação dos voos com a TAP, a escolha da altura certa para ir (tinha de ser logo a seguir a regressar do Príncipe porque a seguir, lá está, tem de estudar para as melhorias de nota) e... lá foi. Como acabou de regressar da ilha do Príncipe temo-nos referido a ele como "Um Príncipe em Nova Iorque", uma alusão galhofeira ao filme com o mesmo nome. Vai ficar um mês inteirinho. A namorada foi com ele (faz o curso de duas semanas e depois regressa; ele faz o curso de 1 mês). Na EF podem estudar-se vários idiomas e há 54 locais à escolha no mundo. Não sabia nada disto mas informei-me no dia da reunião e no site, até porque ajudei na altura de escolher o destino. Um mês a viver em Nova Iorque pareceu-me lindamente. Pudesse eu recuar no tempo e fazia o mesmo. A ideia é, quando voltar, inscrever-se para fazer os exames de inglês que fazem a diferença em algumas universidades, sobretudo para aqueles cursos que são leccionados integralmente em inglês, que também estão na mira do rapaz.

E pronto. É isto. Depois de um mês a fazer actividades com idosos e crianças num ambiente completamente distinto daquele que é o seu, lá foi de novo para algo que é o extremo oposto. Acho que este ano vai mesmo valer por muitos. 

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